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Visto válido, entrada negada?

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O que brasileiros precisam saber antes de viajar aos EUA  no final de ano 

Brasileiros que pretendem passar as férias, o Natal ou o Réveillon nos Estados Unidos já começam a organizar passagens, hospedagem e documentação. Para quem esteve anteriormente no país, porém, conferir apenas a data de validade do visto pode não ser suficiente. O histórico das últimas entradas, o período de permanência concedido e eventuais registros de overstay também merecem atenção antes do embarque.

O alerta ganha relevância em 2026 com novas ferramentas de acompanhamento migratório. Em abril, o U.S. Customs and Border Protection (CBP), responsável pelo controle das fronteiras americanas, publicou informações sobre o Traveler Compliance Check, disponível no sistema do I-94. A ferramenta permite a determinados viajantes verificar quantos dias restam da permanência autorizada ou quantos dias teriam permanecido no país depois do prazo concedido. O CBP também informa que envia alertas a viajantes sobre o tempo restante e possíveis excessos de permanência.

Para Daniel Toledo, advogado especializado em Direito Internacional e imigração, a proximidade das viagens de fim de ano é um momento oportuno para revisar a documentação.

“Um dos erros mais comuns é acreditar que, porque o visto está válido no passaporte, toda a situação migratória daquela pessoa está automaticamente regular. São coisas diferentes. Quem já esteve nos Estados Unidos precisa saber quanto tempo foi autorizado a permanecer e se cumpriu esse prazo”, explica.

Visto válido não garante entrada nos Estados Unidos

O visto americano permite que o estrangeiro viaje a um porto de entrada e solicite admissão no país. A autorização efetiva para entrar é concedida pelo CBP. Também é nesse momento que é determinada a condição de admissão e, conforme o caso, o período autorizado de permanência. Essas informações ficam registradas eletronicamente no I-94.

Na prática, um brasileiro pode possuir um visto B1/B2 válido por vários anos, mas isso não significa que possa permanecer nos Estados Unidos durante todo esse período.

“Se o visto vence daqui a cinco anos, isso não quer dizer que o turista recebeu autorização para ficar cinco anos. Cada admissão deve ser analisada separadamente. É o registro daquela entrada que precisa ser observado”, afirma Toledo.

Nova ferramenta mostra possível excesso de permanência

O Traveler Compliance Check tornou essa consulta mais acessível. Segundo o CBP, a ferramenta calcula o período a partir da admissão concedida ao viajante e pode indicar os dias restantes ou eventual permanência além da data registrada.

O próprio governo americano ressalta, entretanto, que uma indicação de overstay na plataforma não representa, sozinha, uma determinação jurídica definitiva de inadmissibilidade. Além disso, extensões ou mudanças de status realizadas pelo USCIS podem não aparecer imediatamente no sistema.

É justamente por isso que Toledo recomenda atenção quando houver divergências.

“Se a pessoa acredita que permaneceu legalmente, mas o sistema apresenta outra informação, não deveria simplesmente ignorar e embarcar. É necessário entender de onde veio aquela divergência e reunir os documentos que comprovem a situação migratória”, diz.

O que conferir antes de comprar a passagem

Quem pretende viajar aos Estados Unidos no fim de 2026 pode começar pela conferência dos dados e da validade do visto. Para quem já esteve no país, o passo seguinte é acessar o I-94 e consultar o registro da última admissão e as informações disponíveis sobre o cumprimento do período autorizado.

A atenção deve ser maior para quem permaneceu vários meses nos Estados Unidos, pediu extensão ou mudança de status, estudou ou trabalhou no país ou teve qualquer ocorrência migratória em viagens anteriores.

Quem possui processo junto ao USCIS também deve acompanhar separadamente o andamento pelo número de recibo correspondente.

“Uma permanência longa não significa automaticamente que houve uma irregularidade. O problema é quando o viajante não sabe explicar seu histórico ou sequer verificou se os registros estão corretos. Quanto mais particular for a situação, maior a importância de fazer essa revisão antes da viagem”, afirma Toledo.

Overstay pode ter consequências futuras

Permanecer nos Estados Unidos além do período autorizado pode gerar consequências migratórias mesmo quando o visto impresso no passaporte ainda aparenta estar dentro da validade.

A legislação americana prevê, em determinadas circunstâncias, restrições de reentrada relacionadas ao período de presença ilegal. Casos que envolvem mais de 180 dias podem resultar em impedimento por três anos, enquanto períodos de um ano ou mais podem levar a uma restrição de dez anos. A aplicação dessas regras depende das circunstâncias individuais.

Segundo Toledo, o cuidado é especialmente importante para quem pretende retornar aos Estados Unidos depois de uma estadia prolongada.

“Se houve overstay, mudança de status ou qualquer problema anterior, é melhor descobrir antes de chegar ao controle migratório. O aeroporto não deveria ser o lugar onde o viajante toma conhecimento de uma pendência”, afirma.

Regras para pedidos de visto também mudaram em 2026

O cenário migratório americano passou por outras alterações ao longo deste ano. Desde julho, o Departamento de Estado orienta os solicitantes de vistos de não imigrante a agendarem entrevistas na embaixada ou no consulado americano do país de nacionalidade ou de residência. Quem optar por solicitar o documento fora desses locais pode encontrar maior dificuldade para se qualificar.

Para quem precisa renovar o B1/B2 antes das férias, outra regra merece atenção. Desde outubro de 2025, a dispensa de entrevista presencial ficou, em linhas gerais, restrita a determinados candidatos à renovação cujo visto anterior tenha expirado há menos de 12 meses, além do cumprimento de outros critérios. Mesmo nesses casos, o oficial consular pode exigir entrevista presencial.

A combinação das regras torna o planejamento antecipado especialmente importante para quem pretende viajar no fim de 2026 ou no início de 2027. “Quem está com a documentação regular não precisa transformar uma viagem de férias em motivo de preocupação. O ponto é outro: conferir antes. Hoje existem ferramentas oficiais que permitem ao próprio viajante verificar boa parte do seu histórico e identificar se existe algo que precisa ser esclarecido”, conclui Toledo.

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