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Equilíbrio entre carreira família e vida pessoal ganha destaque em debate sobre rotina feminina

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* Fernanda Tochetto

No Dia Internacional da Mulher, eu não quero falar sobre superação como um slogan, mas  sobre estrutura, dados e responsabilidade. Porque, quando analisamos os números, entendemos que a mulher já provou competência. O que ainda está em jogo é posicionamento e autoridade.

Hoje, as mulheres são maioria na medicina brasileira, segundo a Demografia Médica no Brasil 2023, conduzida pela Faculdade de Medicina da USP em parceria com o Conselho Federal de Medicina. Também representam cerca de 34% dos cargos de alta liderança no país, de acordo com levantamento recente da Grant Thornton. 

Avançamos, mas a ascensão numérica não eliminou a sobrecarga invisível. Dados do IBGE mostram que dedicamos quase o dobro de horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados com pessoas em comparação aos homens. Isso significa que, mesmo quando alcançam cargos estratégicos, continuam administrando três frentes simultâneas: trabalho, casa e família.

É nesse ponto que eu proponho uma reflexão mais profunda: o que é, de fato, uma mulher de alta performance? Para mim, não é produtividade exaustiva, nem agenda lotada, nem estar disponível o tempo inteiro. Trata-se da capacidade de decisão sob pressão, clareza estratégica e consistência na execução. É saber priorizar o que gera resultado estrutural e não apenas reconhecimento imediato. Mas aqui surge uma pergunta incômoda: performar bem é suficiente? Não. A performance sustenta resultados. O posicionamento sustenta autoridade. E autoridade é o que gera previsibilidade.

Quando analisamos pesquisas como o Edelman Trust Barometer, que indica que a confiança é um dos principais fatores de escolha de líderes e marcas, entendemos que reputação deixou de ser acessório e passou a ser ativo econômico. E o que é autoridade? Autoridade não é exposição, não é volume de seguidores e muito menos excesso de trabalho. Autoridade é coerência entre discurso e prática, é histórico de entrega, é posicionamento claro, é ocupar espaços estratégicos com intencionalidade, é ser lembrada quando o tema surge.

Trabalhar muito não é o mesmo que trabalhar certo. Trabalhar certo é estruturar modelo de negócio, delegar, organizar processos, definir proposta de valor e comunicar com clareza. É transformar competência técnica em referência de mercado. Vejo diariamente mulheres altamente capacitadas que executam com excelência, mas permanecem invisíveis porque não organizaram sua autoridade. E autoridade organizada não depende de ego, depende de método. É por isso que defendo que a mulher de alta performance precisa tratar posicionamento como estratégia e não como vaidade. Quem não define sua narrativa será definida pelo mercado.

Outro ponto sensível é o emocional. Mulheres são treinadas socialmente para dar conta de tudo, para não falhar, para não demonstrar cansaço, para sustentar casa, filhos e empresa com naturalidade. Mas a alta performance sem gestão de energia leva ao colapso. O burnout feminino tem crescido, segundo relatórios da Organização Mundial da Saúde e levantamentos da Deloitte sobre saúde mental no trabalho. Isso mostra que não basta performar, é preciso estruturar limites. Autoridade também é saber dizer não.

No dia a dia, a mulher executiva ainda negocia: culpa por não estar em casa, culpa por sair mais cedo, culpa por trabalhar demais, culpa por ganhar mais, culpa por querer crescer. Enquanto isso, o mercado continua competitivo e exige clareza estratégica. Por isso, eu reforço: alta performance feminina não pode ser baseada apenas em esforço, precisa ser baseada em decisão. Decisão de construir autoridade com consistência, decisão de trabalhar com método, decisão de sair da lógica da sobrevivência, decisão de crescer com direção.

Já evoluímos muito. Ocupamos espaços que antes nos eram negados, lideramos equipes, empresas, clínicas e operações complexas. Mas continuamos lidando com múltiplas camadas de responsabilidade. Ser uma mulher de alta performance hoje é integrar essas camadas sem perder identidade. É compreender que trabalhar muito não garante reconhecimento, que exposição sem posicionamento não gera autoridade, que autoridade sem método não sustenta crescimento e que sucesso sem estrutura cobra um preço alto.

Minha reflexão aqui não é sobre provar capacidade. Isso já está provado pelos números e pela prática. É sobre consolidar presença estratégica. A mulher que entende que posicionamento é ativo deixa de competir apenas por esforço e passa a competir por valor percebido. E o valor percebido gera autoridade. E autoridade gera previsibilidade. E a previsibilidade gera liberdade. Essa, para mim, é uma verdadeira alta performance.

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