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Mais de R$ 234 bilhões em fusões indicam ciclo de consolidação empresarial no Brasil em 2026, segundo análise

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Novo estudo da SWOT Global aponta avanço de ativos estressados, reprecificação de risco e efeitos da reforma tributária como motores das operações

O mercado brasileiro de fusões e aquisições somou R$ 234 bilhões em transações anunciadas ao longo de 2025, considerando dados até meados de dezembro, e deve entrar em um ciclo mais intenso, e seletivo, de consolidação empresarial em 2026. A avaliação consta em estudo técnico publicado pela SWOT Global, consultoria especializada em estratégia, finanças corporativas e operações de M&A, que aponta a combinação entre juros ainda elevados, reprecificação do custo de capital, volatilidade macroeconômica e efeitos da reforma tributária como fatores capazes de impulsionar operações no país, especialmente envolvendo ativos estressados (distressed) e reorganizações societárias.

O relatório posiciona 2026 como um período em que fusões e aquisições passam a funcionar menos como ferramenta de expansão e mais como mecanismo de reengenharia financeira e operacional. Empresas com maior acesso a liquidez tendem a aproveitar assimetrias de mercado para adquirir ativos com desconto, tecnologia, carteira de clientes e contratos estratégicos, enquanto organizações pressionadas devem buscar capitalização, venda parcial, carve-outs ou combinações societárias para preservar caixa e reduzir alavancagem.

Segundo Maria Cláudia, diretora da consultoria, o movimento já vinha sendo preparado nos anos anteriores. “De acordo com nossa leitura técnica, 2025 funcionou como formação de pipeline, enquanto 2026 tende a ser o momento em que esse pipeline se transforma em consolidação real, com maior uso de estruturas híbridas, ajustes de preço e cláusulas de proteção regulatória e tributária”, afirma a executiva.

Os dados analisados indicam retomada consistente da atividade. Considerando apenas o Brasil, foram reportadas 954 transações até agosto de 2025, alta de 13% em relação ao ano anterior, com protagonismo de operações domésticas e avanço em setores como serviços financeiros e tecnologia. No terceiro trimestre do ano passado, foram registradas 425 operações, com crescimento da participação de private equity e predominância de negócios locais, sinalizando apetite mesmo em ambiente de custo de capital pressionado.

Outro vetor relevante identificado pelo estudo é a transição do custo de capital. A expectativa de flexibilização monetária ao longo de 2026, ainda que com juros elevados em termos históricos, tende a destravar operações dependentes de crédito e ampliar a viabilidade de estruturas de financiamento híbridas. Ao mesmo tempo, o ambiente macroeconômico mais volátil, influenciado por fatores políticos e cambiais, historicamente não reduz o volume de M&A, mas torna as transações mais seletivas, com maior peso em estruturação financeira e menor dependência de múltiplos elevados.

Além do cenário macroeconômico, a implementação da reforma tributária, com o IVA dual (CBS e IBS) e o novo desenho fiscal previsto na EC 132/2023 e na LC 214/2025, cria incentivos para reorganizações societárias, revisão de cadeias produtivas e mudanças de footprint operacional. Esse processo frequentemente resulta em carve-outs, spin-offs, combinações e aquisições voltadas à captura de eficiência e mitigação de risco, elevando a complexidade técnica das operações e a necessidade de análise multidisciplinar.

Segundo a diretora, a dinâmica tende a impactar setores estratégicos como infraestrutura, energia, serviços financeiros, tecnologia, saúde e indústria, com efeitos sobre investimento, emprego e custo de capital da economia real. “Em um cenário de reprecificação de risco e maior exigência de governança, o mercado separa empresas capazes de financiar e integrar ativos daquelas que precisam vender para preservar competitividade. Por isso, M&A em 2026 será menos sobre expansão e mais sobre posicionamento estratégico e sobrevivência”, conclui.

O estudo identifica três vetores dominantes para o ano: consolidação por escala e eficiência, crescimento de transações envolvendo ativos estressados e reorganizações induzidas pela reforma tributária, indicando que o ciclo de fusões e aquisições no Brasil entra em uma nova fase.

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