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Ataques digitais mudam estratégia das empresas e impulsionam mercado de US$ 12 bilhões no Brasil

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Estudo mostra que organizações deixam modelo reativo e passam a tratar cibersegurança como fator de competitividade

Depois de anos focadas em responder a ataques, as empresas brasileiras começam a mudar a lógica da cibersegurança. O estudo ISG Provider Lens™ Cybersecurity Services and Solutions 2026 para o Brasil, produzido e distribuído pela TGT ISG, aponta uma transição de uma abordagem predominantemente reativa para uma estratégia em que a segurança digital se torna um fator de competitividade, confiança e crescimento sustentável, alinhando o país a uma tendência global. 

Os números do primeiro semestre de 2025 ajudam a explicar essa mudança. O Brasil foi alvo de 314,8 bilhões de atividades maliciosas no período, o equivalente a 84% dos ataques registrados na América Latina e no Canadá, segundo o FortiGuard Labs. Apesar dos avanços da Lei Geral de Proteção de Dados e da atuação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), o monitoramento contínuo de ameaças ainda apresenta lacunas relevantes.

“O Brasil se tornou um epicentro de ameaças cibernéticas na América Latina. Esse cenário, aliado ao histórico de subinvestimento em segurança e às particularidades locais, como o Pix e o 5G, exige uma rápida transição de defesas reativas para estratégias mais proativas e inovadoras. Esse movimento também impulsiona o mercado brasileiro de cibersegurança, avaliado pelo IMARC Group em US$ 5,5 bilhões em 2025, que deve alcançar US$ 12 bilhões até 2034, impulsionado por investimentos de US$ 18,6 bilhões previstos entre 2025 e 2028, consolidando a cibersegurança como um dos pilares da resiliência e da geração de valor para os negócios”, afirma João Carlo Mauro, distinguished analyst da TGT ISG e autor do estudo.

A percepção da segurança como centro de custos ainda é um dos principais obstáculos para essa transformação, tornando esse movimento não homogêneo. Segundo a pesquisa global da ISG “Cost Center No More: How to Turn Cybersecurity into a Value Driver”, metade das empresas aponta essa visão como a principal barreira para ampliar os investimentos. Em seguida, aparecem orçamento e escassez de talentos, mencionados por 30% dos entrevistados, enquanto processos manuais e desorganizados são citados por 20%.

Além dos desafios estruturais acima mencionados, a inteligência artificial amplia ainda mais esses desafios à medida que agentes autônomos passam a executar tarefas críticas dentro das organizações; cresce também a necessidade de novas camadas de governança. “Imagine um agente de IA corporativa analisando dados de clientes. Sem uma governança robusta, ele pode expor informações críticas. Com checkpoints humanos e observabilidade contínua, no entanto, torna-se um aliado seguro e eficiente”, explica João Mauro. “A adoção crescente de inteligência artificial corporativa acelera tanto as ações ofensivas quanto as defensivas e introduz novos riscos relacionados à gestão de identidades não humanas e à comunicação entre agentes”.

Entre as principais tendências apontadas pelo estudo, modelos como o Continuous Threat Exposure Management (CTEM), Zero Trust e a criptografia pós-quântica ganham espaço nas estratégias de segurança das empresas brasileiras. Ao mesmo tempo, a governança da inteligência artificial generativa torna-se prioridade, com foco na prevenção de vazamento de dados e na gestão de novos riscos. O estudo também destaca o avanço de centros de operações de segurança de nova geração e de plataformas de detecção e resposta estendida (XDR), que fortalecem o monitoramento contínuo e a resposta a ameaças cada vez mais sofisticadas. Na prática, porém, a adoção efetiva dessas defesas é ainda desigual, pois setores com menos maturidade de segurança seguem expostos aos riscos que a inovação acelera.

“Os fornecedores brasileiros têm demonstrado agilidade para adaptar seus portfólios às demandas identificadas em minha pesquisa, avançando em direção a modelos preditivos de segurança e se preparando para cenários cada vez mais complexos. Essa capacidade será determinante para que as empresas consigam extrair valor concreto de seus investimentos em segurança em um ambiente de inovação acelerada e crescente sofisticação das ameaças”, afirma o autor. 

Para os próximos anos, a expectativa é de consolidação da governança da inteligência artificial no país, com atenção crescente aos riscos associados a agentes autônomos e ao uso não autorizado dessas tecnologias. “Os serviços estratégicos e técnicos de segurança deverão liderar a preparação para ameaças quânticas, enquanto centros de operações de cibersegurança e soluções de detecção estendida garantirão respostas cada vez mais rápidas às ameaças contemporâneas”, finaliza.

O relatório aponta a ISH Tecnologia como Líder em cinco quadrantes. Indica Accenture, EY, IBM, Logicalis e Stefanini como Líderes em quatro quadrantes cada. Capgemini, Deloitte e NTT DATA são apontadas como Líderes em três quadrantes cada. Agility, Edge UOL, Kyndryl e PwC são apontadas como Líderes em dois quadrantes cada. O relatório aponta Broadcom, Cipher, CrowdStrike, iT.eam, Kaspersky, KPMG, Microsoft, SEK, TIVIT, Trend Micro, T-Systems, Unisys, Vortex Security e Vultus como Líderes em um quadrante cada.

Além disso, Asper, Clavis e FUTURE TECHNOLOGIES são reconhecidas como Rising Stars — empresas com um “portfólio promissor” e “alto potencial futuro”, segundo a definição da ISG — em dois quadrantes cada. BluePex, Scunna, TCS e T-Systems são reconhecidas como Rising Stars em um quadrante cada.

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