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Capacity LATAM 2026 reúne líderes globais em São Paulo e aponta América Latina como próximo hub estratégico de infraestrutura digital e IA

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Mais de mil participantes de 45 países se reuniram para discutir o futuro da conectividade, inteligência artificial, data centers e transição energética digital

Projeto de regulação REData como fator decisivo para destravar investimentos no Brasil. Esse foi um dos temas de destaque do Capacity LATAM 2026 que aconteceu entre os dias 16 e 18 de março no Grand Hyatt São Paulo.  

Com mais de mil participantes de mais de 45 países, incluindo executivos, reguladores, investidores e especialistas do ecossistema tecnológico, o evento foi palco de debates sobre os caminhos da conectividade, inteligência artificial (IA), data centers e infraestrutura energética na América Latina. 

Patrocinado por empresas de tecnologia como Cirion, V.Tal e Ufinet, entre outras, o programa teve início em 16 de março com o pré-evento Women’s Tech Forum, dedicado à liderança feminina no setor. O primeiro dia também contou com o Digital Infra Leaders’ Summit e o Datacloud Leadership Dinner, dois encontros exclusivos para convidados que reuniram líderes seniores e tomadores de decisão de toda a região para discussões estratégicas e networking. A agenda seguiu com dois dias de painéis focados em soberania de dados. As discussões revelaram um consenso entre os palestrantes: a América Latina vive um momento decisivo para se tornar um hub global de infraestrutura digital, desde que avance em regulação, coordenação e agilidade na execução. 

Women’s Tech Forum abre discussões sobre liderança e competitividade 

O Capacity LATAM 2026 teve como palestra de abertura o Women’s Tech Forum, encontro dedicado à liderança feminina no setor tecnológico. Executivas discutiram carreira, diversidade e o impacto da inclusão na competitividade das empresas. 

Entre os temas abordados estiveram a formação de equipes multiculturais, a atração de investimentos para a América Latina e o papel da inteligência artificial como catalisador de transformação organizacional.  

O consenso entre as palestrantes – Ivete Lovato (Microsoft), Natalia Lopez (Chilean Data Center Association), Crislaine Corradine (ELEA Data Centers), Xiomara Ayura (ODATA) e Roberta Aronne (Terranova) – foi que diversidade não é uma agenda social e hoje já integra inovação e crescimento corporativo. 

REData é decisivo para avanço de projetos de Data Center  

Painéis como “The Investment Keynote: LATAM’s 100B Digital Surge” e “The AI Keynote: The Rise of Latin America’s Next-Generation AI Hubs”, evidenciaram que, principalmente o Brasil, tem condições ideais para o mercado estrangeiro: abundância energética, matriz renovável, estabilidade geopolítica e disponibilidade territorial para construção de Data Centers.  

Ainda assim, por atrasos regulatórios e burocracias legislativas, temos dificuldade de captar investimentos e trazer projetos maiores para o país.  

O projeto REData foi citado repetidamente como fator capaz de acelerar a instalação de novos data centers e infraestruturas associadas à inteligência artificial. Segundo os palestrantes, a demanda por capacidade computacional ainda cresce mais rápido do que nossa infraestrutura é capaz de acompanhar.  

Data centers são infraestrutura crítica 

Durante o painel “Opening Remarks”, Hermano Barros, secretário de telecomunicações do Ministério das Comunicações, destacou que tanto os cabos submarinos quanto os data centers são infraestruturas críticas, essenciais para o funcionamento da segurança da informação e da conectividade global. Segundo ele, o avanço dessas estruturas exige políticas públicas capazes de reduzir burocracias e acelerar processos de licenciamento e reparos.  

A avaliação foi reforçada em sessões como “Datacenter Keynote: From Fiber to Facility” e “Can LATAM Lead the Green Compute Revolution?”, que destacaram que data centers são elementos centrais da soberania digital e da competitividade econômica dos países. 

A América Latina possui vantagem estrutural por contar com matriz energética majoritariamente limpa, criando condições para liderar o chamado green compute, computação de alta escala com menor impacto ambiental. 

Cabos submarinos reposicionam a América Latina no mapa global de dados 

A expansão da conectividade internacional foi outro eixo central do evento, no painel “The Subsea Keynote: Malbec, Firmina, Synapse, Humboldt and the New LATAM Wave”

Novos sistemas de cabos submarinos mudam rotas globais de dados e diminuem a latência (atraso do tempo de resposta) entre continentes. Países como Chile e Peru, foram apontados como corredores digitais emergentes por serem mais próximos da América do Norte e pelo avanço institucional voltado à economia tecnológica.  

A discussão destacou que infraestrutura digital passou a integrar debates geopolíticos mais amplos, ligados à soberania de dados e resiliência de redes. 

Southern Cone debate maturidade tecnológica e desafios regulatórios 

A perspectiva regional ganhou foco no painel “Spotlight on the Southern Cone (Argentina, Uruguay, Southern Brazil)”, que discutiu o estágio de preparação dos países do Cone Sul diante da expansão da inteligência artificial. 

Durante a sessão, Evandro Behenck, diretor de marketing da WideLabs, destacou que o Brasil combina criatividade cultural e rápida adoção tecnológica, fatores que podem favorecer a liderança regional no desenvolvimento digital. “Estamos muito adiantados no Brasil em tecnologia e na adoção de IA. Os desafios que enfrentamos hoje são, na verdade, oportunidades para liderar, especialmente se avançarmos em marcos regulatórios”, ressalta.  

Evandro também ressaltou que o debate sobre uma possível “bolha” da inteligência artificial perdeu força dentro da indústria. 

“Já não falamos mais em bolha de IA. Ela já está aqui e veio para ficar.” 

O painel reforçou que a região ainda se encontra em estágios iniciais de construção de infraestrutura, ao mesmo tempo em que precisa equilibrar velocidade de expansão com segurança regulatória e planejamento de longo prazo. 

Um novo ciclo para a economia digital latino-americana 

Ao final do Capacity LATAM 2026, a mensagem é que a América Latina possui os elementos necessários para assumir o centro da infraestrutura digital global, com energia, território, talento e demanda crescente. 

O desafio agora é alinhar políticas públicas, regulação e planejamento à velocidade da transformação tecnológica. 

Com a inteligência artificial pressionando cadeias globais de conectividade e computação, decisões tomadas nos próximos anos devem definir se a região atuará apenas como mercado consumidor ou como protagonista da próxima fase da economia digital. 

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