Carol Garrafa, neurocientista e CEO da Santé, afirma que empresas que adiam conversas sobre desempenho perdem uma das principais oportunidades do ano para corrigir falhas, desenvolver talentos e impulsionar resultados
Funcionários que recebem feedback frequente são quase quatro vezes mais engajados do que aqueles que recebem retorno apenas uma vez por ano, segundo levantamento da Gallup. Apesar disso, muitas empresas ainda concentram avaliações de desempenho no encerramento do ciclo anual, deixando de aproveitar um momento estratégico para corrigir rotas, desenvolver competências e aumentar as chances de alcançar melhores resultados até dezembro.
“Um dos maiores equívocos das empresas é esperar a avaliação anual para discutir desafios, comportamentos ou resultados. Isso porque o cérebro aprende e se ajusta por meio de ciclos curtos de feedback. Quando esperamos até o fim do ano, perdemos justamente a janela em que a mudança de comportamento é mais viável neurologicamente”, explica a neurocientista Carol Garrafa. “O meio do ano funciona como um ponto de recalibração, por isso vale a pena investir em um checkpoint profissional, quando ainda há tempo para identificar acertos, corrigir falhas e consolidar novos padrões antes que dezembro chegue”, afirma ela.
Sob a perspectiva da neurociência, retornos frequentes e específicos ajudam o cérebro a reforçar competências, corrigir estratégias e evitar que pequenos desvios se transformem em problemas mais difíceis de resolver.
A especialista acrescenta, ainda, que junho e julho marcam o encerramento do primeiro semestre e representam uma chance estratégica para empresas, líderes e colaboradores reverem o que devem melhorar antes que o ciclo anual chegue ao fim. Segundo a especialista, o feedback funciona como um mecanismo de atualização comportamental.
Carol destaca que para o feedback ser eficiente, ele precisa ser bem planejado e bem feito e, para isso, o erro também precisa ser encarado de outra forma dentro das organizações. “O erro não precisa ser visto como fracasso. Quando existe segurança psicológica, ele se transforma em aprendizado. O cérebro é naturalmente programado para aprender por tentativa e ajuste. Empresas que compreendem isso constroem equipes mais inovadoras, colaborativas e resilientes.”
Além da análise de indicadores e metas, o período é uma oportunidade para promover conversas mais profundas sobre desenvolvimento profissional, alinhamento de expectativas e bem-estar dos colaboradores. Para a especialista, compreender os obstáculos enfrentados ao longo dos últimos meses é tão importante quanto avaliar os resultados alcançados.
“Não se trata apenas de perguntar se a meta foi atingida. É importante entender o que funcionou, quais barreiras surgiram ao longo do caminho, quais habilidades precisam ser fortalecidas e como a empresa pode apoiar esse processo de crescimento.”
A clareza proporcionada por essas conversas também influencia diretamente o engajamento e a saúde emocional das equipes. “Quando o colaborador entende sua performance e sabe exatamente onde precisa evoluir, ele ganha direcionamento. A incerteza costuma gerar muito mais desgaste do que uma conversa transparente sobre desafios e oportunidades de desenvolvimento.”
Para Carol Garrafa, organizações que utilizam o segundo semestre apenas para correr atrás de resultados perdidos deixam escapar uma oportunidade valiosa de planejamento. “O meio do ano oferece a chance de olhar para trás com senso crítico e para frente com intenção”, diz. Mas um ponto que a especialista ressalta é, no fim do feedback, promover o feedforward, ou seja, após olhar para trás, conseguir planejar os próximos passos, os acordos do que se espera para a frente com o que foi discutido. “As empresas que transformam esse momento em aprendizado conseguem fortalecer suas equipes, estimular a inovação e construir resultados mais sustentáveis”, conclui.








