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Gestão de risco: a defesa que começa no atendimento

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Se uma transação parece normal, mas o comportamento por trás dela mudou, sua instituição consegue perceber?

Essa pergunta resume um dos maiores desafios do setor financeiro. A digitalização dos serviços bancários trouxe acesso, praticidade e concorrência. Hoje, uma pessoa abre uma conta, solicita crédito, faz um Pix e fala com o banco pelo celular, muitas vezes sem visitar uma agência.

A mesma facilidade também criou novas oportunidades para criminosos.

Fraudes digitais, roubo de identidade, engenharia social, ataques cibernéticos, deepfakes e uso de inteligência artificial passaram a fazer parte da gestão de risco financeiro. A tecnologia encurtou o caminho entre o cliente e a instituição. Também encurtou o caminho entre o criminoso e o prejuízo.

O Banco Central acompanha essa transformação por meio de regras específicas de segurança cibernética, como a Resolução CMN n.º 4.893, que estabelece requisitos para a política de segurança e para a contratação de serviços de processamento e armazenamento de dados. A preocupação regulatória mostra que risco digital não é assunto restrito à área de tecnologia. Ele envolve operação, atendimento, compliance, reputação e resultado financeiro.

Mas existe um ponto que ainda recebe menos atenção do que deveria: a interpretação dos dados.

Muitas instituições têm registros de transações, ligações, chats, reclamações, solicitações e históricos de atendimento. Ainda assim, enfrentam dificuldade para conectar essas informações e identificar sinais de risco antes que a fraude aconteça.

Um dado isolado pode não dizer muita coisa. Uma alteração no horário de acesso, uma mudança repentina na forma de falar, a insistência em concluir uma operação ou a sequência de contatos em diferentes canais pode revelar um padrão. O risco aparece na combinação dos sinais.

É aqui que a experiência do cliente se encontra com a gestão financeira.

Uma abordagem de fraude pode começar com uma mensagem aparentemente simples. O criminoso cria urgência, usa o nome de uma instituição conhecida e conduz a pessoa para uma decisão rápida. Sob pressão, o cérebro tende a reduzir a análise crítica e buscar uma saída imediata. Por isso, compreender o comportamento humano ajuda a prevenir perdas tanto quanto analisar os sistemas.

Para quem trabalha com CX, fica um alerta: satisfação não pode ser observada separadamente de segurança. Um atendimento rápido, mas vulnerável, pode gerar uma experiência ruim e um custo alto. Da mesma forma, uma barreira de segurança mal desenhada pode aumentar o abandono e estimular o cliente a procurar outra instituição.

Na Blue6ix, combinamos inteligência artificial, processamento de linguagem natural, aprendizado de máquina e análise humana para interpretar interações. Já analisamos mais de 150 milhões de interações, buscando padrões que ajudem as empresas a entender o que está acontecendo na operação e por que está acontecendo.

O trabalho não termina na identificação de uma ocorrência. A análise precisa apontar causas, recorrências, falhas de processo e oportunidades de prevenção. Quando isso acontece, a instituição consegue reduzir retrabalho, direcionar melhor as equipes, proteger receitas e agir com mais precisão.

O Banco Central mantém mecanismos como o MED, o Mecanismo Especial de Devolução do Pix, para tratar casos de fraude. Ainda assim, recuperar valores depois do problema não substitui a prevenção.

A pergunta final é: sua empresa está apenas armazenando dados ou está aprendendo com eles?

Na gestão de risco financeiro, interpretar sinais antes do prejuízo é uma decisão de negócio. Quando transformamos dados de atendimento em inteligência acionável, a tecnologia passa a proteger o cliente, a operação e o resultado financeiro.

Fontes: Banco Central do Brasil, Resolução CMN nº 4.893 e informações oficiais sobre segurança do Pix e Mecanismo Especial de Devolução.

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Neiva é fundadora e sócia da Blue6ix Tecnologia, empresa pioneira na América Latina em soluções de interaction analytics, experiência do cliente aplicada ao comportamento humano, onde atualmente atua como Presidente do Conselho. Com mais de 40 anos de carreira, construiu trajetória em empresas como Portugal Telecom, Contax, Dedic GPTI, CSU CardSystem e Teleperformance, atuando nas áreas de operações, qualidade, tecnologia, desenvolvimento de pessoas e experiência do cliente, incluindo atuação internacional em Lisboa, Portugal. Fundou a Blue6ix aos 56 anos e hoje dedica-se ao estudo de neurociência, comportamento humano, consumo e os impactos da inteligência artificial nas relações entre empresas e pessoas. É analista de sistemas, professora, palestrante e articulista do Jornal Empresas & Negócios.
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