Por Fabio Aquino
Quando se fala em desperdício de recursos públicos, normalmente pensamos em obras paradas, atrasos, contratos mal executados ou estruturas que custaram mais do que deveriam.
Mas existe um desperdício menos visível e que pode começar muito antes da primeira máquina chegar ao terreno: um projeto mal planejado.
Uma boa ideia não é necessariamente um bom projeto.
Antes de decidir quanto investir, é preciso entender qual problema será resolvido, qual impacto será gerado, quanto custará manter aquela estrutura e se existe capacidade financeira para sustentá-la no longo prazo.
“Um dos maiores erros da gestão é começar discutindo a obra antes de discutir o problema. Primeiro precisamos entender a necessidade da cidade. Depois desenhamos a solução”, afirma Fabio Aquino, CEO da FME Management.
É justamente nessa fase que planejamento estratégico, estudos de viabilidade, modelagem financeira e análise de riscos ganham importância.Isso também vale para concessões e Parcerias Público Privadas.
Uma PPP não deve nascer simplesmente porque o município não possui recursos suficientes para realizar determinado investimento. Ela precisa fazer sentido econômico, operacional e social.
Segundo Aquino, o capital privado é consequência de uma oportunidade bem estruturada.
“Investidor não procura apenas grandes projetos em valor financeiro. Procura previsibilidade, segurança e projetos que façam sentido. Quando existe uma boa estruturação, o capital começa a enxergar a oportunidade.”
Há ainda outro ponto importante: muitas cidades possuem ativos, áreas e necessidades que poderiam originar projetos relevantes, mas essas oportunidades nem sempre são identificadas.
Por isso, talvez uma das maiores competências da gestão pública moderna seja a capacidade de transformar problemas em projetos.
Não se trata apenas de perguntar o que precisamos construir?
A pergunta deveria ser:Qual problema precisamos resolver e qual é a melhor solução para os próximos 20 ou 30 anos?
Essa mudança parece pequena, mas altera completamente a lógica da tomada de decisão.
“Gestão eficiente não é aquela que simplesmente executa mais obras. É aquela que toma decisões capazes de gerar resultados por muitos anos”, destaca Aquino.
Cidades não precisam apenas de mais recursos.
Precisam de inteligência para decidir onde, como e por que investir.
Porque o verdadeiro desperdício pode não estar em gastar demais.
Pode estar em investir milhões na solução errada.








