Tecnologia

A era do Retorno sobre Energia (ROE): por que a produtividade da Inteligência Artificial (IA) exige uma nova gestão da energia humana

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Por Mário Soma, CEO e Head B2B da Pólvora Comunicação

A Inteligência Artificial (IA) entregou o que prometeu: uma escala de produtividade sem precedentes. No entanto, ao observar as discussões do SXSW deste ano, ficou claro que essa evolução trouxe um efeito colateral silencioso que as empresas não podem mais ignorar. 

A tecnologia elevou a capacidade operacional, mas expôs um custo invisível: o esgotamento da carga mental humana.

Estamos vivendo o paradoxo da eficiência. De acordo com dados de mercado, o cenário é alarmante:

  • 68% dos profissionais admitem que não têm tempo para pensar estrategicamente, segundo relatório da Microsoft.
  • 60% do esforço das equipes é drenado pela coordenação de tarefas, não pela execução, segundo relatório da Asana.
  • O volume de decisões executivas explodiu, mas a nossa capacidade cognitiva para processá-las continua a mesma,  segundo relatório do Gartner.

Na prática, as respostas estão mais rápidas, mas a profundidade está minguando. A produtividade cresce, mas a dependência da IA cria um ciclo de estímulos ininterruptos. 

É neste cenário de “infoxicação” que o Return on Energy (ROE) — ou Retorno sobre Energia — deixa de ser um conceito de bem-estar para se tornar uma prioridade estratégica de negócios.

O ROE não substitui o ROI; ele o protege

É fundamental entender que o ROE não invalida o tradicional Return on Investment (ROI). Na verdade, ele é o que garante a sustentabilidade do lucro a longo prazo. 

Se o ROI mede o quanto ganhamos financeiramente, o ROE mede o custo de atenção e o esforço cognitivo necessários para sustentar esses resultados. 

Sem um ROE equilibrado, o ROI de hoje se torna o burnout de amanhã.

A grande virada de chave do SXSW foi justamente o deslocamento do foco da tecnologia pura para o contexto humano e emocional. A IA agora “conversa”, “escuta” e “emula sentimentos”. Esse excesso de interfaces que exigem decisões contínuas gerou um desafio econômico real: o consumo desenfreado de energia cognitiva.

A gestão de atenção como ativo financeiro

Quando o desgaste mental atinge o limite, a qualidade das decisões despenca, o engajamento das equipes evapora e a experiência do cliente é comprometida. Problemas que antes eram vistos como “sociais” ou “de RH” foram definitivamente transpostos para o centro da estratégia financeira.

Para reverter esse quadro e gerar satisfação real, as empresas precisam migrar do excesso para a intencionalidade. Se o bombardeio de estímulos prejudica a conexão com a marca e a eficiência da operação, a “recuperação de energia” passa a ser o valor percebido mais escasso e desejado.

O próximo passo: maturidade tecnológica

Já sabemos que a IA aumenta a produtividade. Agora, o desafio das lideranças é identificar o nível de maturidade necessário para gerir o impacto dessa tecnologia sobre as pessoas.

A gestão da energia cognitiva e a responsabilidade sobre como a tecnologia afeta a operação já são pautas obrigatórias entre os executivos C-Level. No mundo corporativo moderno, ignorar o ROE não é apenas uma falha de gestão de pessoas; é um risco financeiro e estratégico que pode custar a longevidade do negócio.

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