Saúde

Atualização do eSocial reforça pressão por agilidade nos exames ocupacionais

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Empresas precisam informar ao eSocial dados sobre exames que acompanham a saúde dos trabalhadores, incluindo informações do Atestado de Saúde Ocupacional (ASO). Em setembro, uma nova atualização do sistema manteve essas exigências e voltou a colocar em evidência um desafio comum para clínicas, RHs e áreas de saúde e segurança do trabalho: fazer com que exames, laudos e informações médicas circulem sem atrasos ou retrabalho. Em empresas com grande número de funcionários, etapas ainda realizadas de forma separada podem aumentar o tempo entre o atendimento do trabalhador e a conclusão de todo o processo ocupacional.

A rotina envolve diferentes momentos. A NR-7 prevê exames admissionais, periódicos, de retorno ao trabalho, de mudança de riscos ocupacionais e demissionais. Depois da realização dos procedimentos necessários, ainda é preciso analisar resultados, emitir laudos quando aplicável, realizar a avaliação médica, gerar o ASO e manter as informações organizadas para os registros exigidos. Quando cada uma dessas etapas funciona em um sistema diferente ou depende de troca manual de documentos, aumentam as chances de informações incompletas, necessidade de correção e demora na liberação.

Para Renata Troncoso, advogada especializada em Regulação Médica e Anvisa, cofundadora e diretora Jurídica, Administrativa e Comercial da Portal Telemedicina, a digitalização pode reduzir justamente esses pontos de atrito. “O problema não está apenas no tempo necessário para fazer um exame. Muitas vezes, a demora surge no caminho que a informação percorre depois dele. Quando exames, laudos, avaliação médica e sistemas de saúde ocupacional estão integrados, há menos etapas manuais e mais facilidade para acompanhar o processo do início ao fim”, afirma.

Telelaudos são uma das ferramentas utilizadas para encurtar esse percurso. Um exame realizado em determinada unidade pode ser encaminhado digitalmente para análise de um especialista, sem depender da presença desse profissional no mesmo local. A integração entre sistemas também permite acompanhar o andamento dos exames e reduzir tarefas como digitação repetida de informações e conferência de documentos. Recursos de inteligência artificial podem ser empregados como apoio na organização, priorização e controle de qualidade das demandas, sempre com supervisão profissional.

O impacto não fica restrito à área médica. Um exame admissional pendente pode interferir no processo de contratação, assim como avaliações de retorno ao trabalho ou de mudança de risco podem afetar a organização das equipes. Em setores com grande volume de admissões, unidades distantes ou dificuldade de acesso a especialistas, como indústria, logística, construção civil e agronegócio, atrasos nessa jornada podem se transformar em um problema operacional.

A tecnologia, no entanto, não elimina as responsabilidades envolvidas. Dados de saúde exigem proteção, controle de acesso e rastreabilidade, enquanto a avaliação do trabalhador e a emissão dos documentos necessários continuam sob responsabilidade dos profissionais habilitados. “Digitalizar não é simplesmente colocar um processo antigo dentro de uma plataforma. O ganho aparece quando a tecnologia ajuda a organizar as informações e dá mais agilidade à operação sem retirar a supervisão médica. Com menos retrabalho, as equipes também conseguem dedicar mais tempo à prevenção e ao cuidado com o trabalhador”, conclui Renata.

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