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Capitais saturadas, interior aquecido: a nova geografia do franchising brasileiro

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Com 100 lojas concentradas no Sul, a Prioridade 10 acompanha a nova geografia das redes, marcada pelo avanço das cidades do interior, que já representam 24% do faturamento do setor

Durante décadas, abrir uma franquia significava mirar as capitais e os grandes centros urbanos. Hoje, a lógica começa a se inverter. Com mercados saturados, aluguéis elevados e concorrência intensa nas metrópoles, redes dos mais diversos segmentos passaram a concentrar sua expansão em cidades médias e polos regionais, transformando o interior em uma das principais fronteiras de crescimento do franchising brasileiro.

Dados da Associação Brasileira de Franchising mostram que, entre as 30 cidades com melhor desempenho no setor, 14 já são municípios que não são capitais, reflexo da interiorização das redes e do fortalecimento econômico de centros regionais. Embora as capitais ainda concentrem 76% do faturamento do mercado nacional de franquias, os municípios do interior já respondem por 24% desse volume.

O movimento acompanha uma mudança estrutural no mercado. Enquanto os grandes centros enfrentam custos operacionais crescentes e forte concorrência, cidades médias passaram a reunir características cada vez mais valorizadas pelas franqueadoras, como crescimento econômico consistente, aumento da renda, expansão do emprego formal e capacidade de atrair consumidores de municípios vizinhos.

Mais do que analisar o tamanho da população, as redes passaram a observar indicadores capazes de revelar o verdadeiro potencial de consumo local. Fluxo comercial, influência regional, perfil dos consumidores e estabilidade econômica da região se tornaram fatores decisivos na escolha dos próximos destinos de expansão.

Para Rogério Zorzetto, CEO da Prioridade 10, rede de varejo popular com produtos de até R$ 30, compreender a dinâmica econômica de uma cidade se tornou mais importante do que simplesmente observar o número de habitantes.

“Olhar apenas para a população já não é suficiente. O que define o potencial de uma cidade é sua dinâmica econômica, sua capacidade de atrair consumidores da região e a força do comércio local. Muitas cidades do interior exercem influência sobre dezenas de municípios vizinhos e apresentam desempenho semelhante ao de centros urbanos muito maiores”, afirma.

A estratégia acompanha também uma mudança importante no comportamento do consumidor brasileiro. Com orçamentos mais ajustados e decisões de compra cada vez mais criteriosas, muitas famílias passaram a priorizar estabelecimentos que oferecem preços previsíveis, variedade de produtos e praticidade no processo de compra.

“O cliente continua consumindo, mas com muito mais critério. Existe uma preocupação maior em entender se aquela compra realmente faz sentido dentro do orçamento e da rotina da família. O preço deixa de ser apenas um atrativo e passa a ser um elemento central da decisão”, explica Zorzetto.

Esse cenário tem favorecido especialmente operações voltadas ao varejo popular, que encontram nas cidades médias um ambiente mais estável e menos dependente de sazonalidades ou do fluxo típico dos grandes centros urbanos.

A trajetória da Prioridade 10 ilustra esse movimento. A rede soma atualmente 100 lojas na região Sul e vem ampliando sua presença em cidades do interior, acompanhando o fortalecimento desses mercados. O modelo trabalha com itens de até R$ 30 e registra faturamento médio mensal de R$ 197 mil por unidade, desempenho superior à média nacional do franchising, segundo dados da ABF.

Para especialistas do setor, a tendência é que a interiorização continue ganhando força nos próximos anos, impulsionada pelo amadurecimento econômico das cidades médias e pela busca das redes por mercados com maior potencial de crescimento e menor nível de saturação.

Se antes a disputa das franquias acontecia principalmente entre bairros das grandes capitais, agora ela começa a se deslocar para cidades que, até poucos anos atrás, estavam fora do radar dos grandes planos de expansão.

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