Especialista em planejamento financeiro familiar explica como pequenas mudanças na rotina ajudam a reduzir conflitos, fortalecer o orçamento doméstico e acelerar a construção de patrimônio
O dinheiro continua sendo uma das principais fontes de conflito dentro das famílias brasileiras e um dos maiores obstáculos à construção de patrimônio. Pesquisa da Serasa, divulgada em junho de 2026, mostra que 45% dos brasileiros apontam as finanças como uma das principais causas de conflitos no relacionamento.
O levantamento também revela que 44% já tiveram o nome negativado por causa de um parceiro e 42% recorreram a empréstimos em razão do relacionamento. Os dados mostram que a falta de diálogo sobre dinheiro entre casais afeta não apenas o orçamento doméstico, mas também a capacidade de planejamento financeiro familiar e de formação de patrimônio.
Para Ricardo Hiraki, administrador, CEO e cofundador da Plano Fintech, empresa especializada em educação financeira e planejamento financeiro familiar, o problema costuma surgir muito antes das dificuldades financeiras. “O planejamento financeiro familiar começa pela transparência, mas muitos casais ainda evitam falar sobre dinheiro, mesmo quando discutem carreira, filhos e projetos de vida. Sem esse alinhamento, decisões importantes acabam sendo tomadas de forma individual, comprometendo a organização das finanças e a construção de patrimônio.”
Embora o dinheiro ainda seja tratado como um assunto delicado, os brasileiros reconhecem sua importância para a estabilidade da família. A mesma pesquisa da Serasa aponta que 88% consideram importante que o parceiro tenha boa saúde financeira, enquanto 90% valorizam o hábito de economizar e 61% afirmam que a condição financeira influencia diretamente a construção de uma relação duradoura. Para o executivo, o desafio está em transformar essa preocupação em uma rotina de decisões financeiras compartilhadas.
O planejamento financeiro começa na conversa
Na avaliação do administrador, um dos equívocos mais comuns é acreditar que conversar sobre dinheiro significa controlar os gastos do parceiro ou dividir rigorosamente todas as despesas. Na prática, a ausência desse diálogo costuma resultar em decisões desalinhadas, consumo impulsivo, contratação de crédito sem planejamento, dificuldade para formar reserva de emergência e atraso na construção do patrimônio familiar.
“O patrimônio de uma família não é construído apenas pela renda, também depende da capacidade do casal de tomar decisões financeiras em conjunto. Quando o dinheiro deixa de ser assunto dentro de casa, as decisões também deixam de ser compartilhadas, e isso aumenta o risco de desperdícios, endividamento e perda de oportunidades para investir”, afirma o CEO da Plano Fintech.
O especialista explica que o planejamento financeiro familiar precisa acompanhar as diferentes fases da vida, como casamento, nascimento dos filhos, compra do primeiro imóvel, mudanças de carreira ou novos projetos. Cada etapa exige ajustes no orçamento familiar e revisão das prioridades para preservar a saúde financeira da casa.
Para o especialista, existe um equívoco em torno da gestão financeira do casal: muitas pessoas acreditam que compartilhar todas as contas é o único caminho para manter as finanças organizadas. Na prática, o modelo adotado importa menos do que a transparência, o alinhamento sobre os objetivos da família e a participação de ambos nas decisões financeiras.
Segundo o especialista em educação financeira, algumas práticas ajudam a fortalecer a organização financeira da família e acelerar a construção de patrimônio:
- Estabelecer reuniões periódicas para revisar orçamento e despesas;
- Definir objetivos financeiros compartilhados para curto, médio e longo prazo;
- Manter transparência sobre renda, dívidas, investimentos e financiamentos;
- Criar um orçamento familiar compatível com a realidade da casa;
- Acompanhar os gastos regularmente para corrigir excessos antes que se transformem em problemas.
Para o executivo, educação financeira também é uma ferramenta de fortalecimento das relações familiares. “Quando existe diálogo, o dinheiro deixa de ser motivo de conflito e passa a orientar decisões mais inteligentes. Famílias que planejam juntas costumam formar patrimônio com mais segurança, enfrentar melhor os imprevistos e tomar decisões financeiras mais consistentes ao longo da vida.”








