Negócios

Com importação recorde da China no semestre, auditoria na origem vira estratégia para conter gargalos

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Grupo Vellore, dono das marcas Foxlux e Famastil, mantém estrutura própria em polo industrial chinês para garantir qualidade em importados que abastecem mercado nacional de construção

O avanço das importações brasileiras de produtos com origem na China, que alcançaram o recorde histórico de US$ 38,5 bilhões no primeiro semestre de 2026, tem imposto uma mudança estrutural na estratégia das empresas nacionais. Para além de disputar custos e prazos no frete internacional, grandes indústrias e distribuidoras passaram a internalizar as etapas de fiscalização técnica e seleção de fornecedores diretamente no continente asiático como mecanismo de blindagem contra falhas globais de abastecimento.

O movimento acompanha a consolidação da China como principal fornecedora do mercado brasileiro, respondendo por 27% de todas as compras externas feitas pelo Brasil de janeiro a junho deste ano, o dobro da participação registrada pelos Estados Unidos. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o volume financeiro desembolsado pelo Brasil com insumos e manufaturados chineses cresceu 8% no primeiro semestre na comparação com o mesmo período do ano passado.

“O sucesso de uma operação internacional de grande escala não se resume mais a encontrar uma fábrica e aguardar o contêiner no porto. Exige presença física e governança em toda a esteira de produção”, afirma Laufran Wosniak, CEO do Grupo Vellore, conglomerado paranaense que atua nos segmentos de materiais de construção, iluminação, ferramentas e agronegócio.

A companhia, que mantém uma fábrica própria em Pinhais (PR), baseia grande parte de seu portfólio de 1.200 produtos em componentes e itens acabados trazidos da Ásia. Para dar suporte ao plano de negócios que prevê triplicar o faturamento do grupo até 2030, a empresa opera um escritório corporativo próprio na cidade portuária de Ningbo, um dos principais polos industriais da China.

Controle de origem

A estrutura em solo chinês permite o acompanhamento diário dos cronogramas fabris e a realização de testes laboratoriais e inspeções de lote antes do embarque marítimo. O modelo visa desmistificar a percepção de que o produto manufaturado na Ásia carrega menor valor agregado ou fragilidade técnica. Na avaliação do setor produtivo, as indústrias chinesas integraram-se às cadeias globais de tecnologia e o resultado final da importação passou a depender do rigor do comprador na ponta inicial do processo.

“A competitividade, a capacidade de inovação e a velocidade para responder às tendências de mercado são os grandes atrativos da indústria chinesa. Contudo, os riscos logísticos, a variação cambial e a conformidade com as normas técnicas nacionais, como as exigências do Inmetro, demandam um controle que não pode ser feito à distância”, diz Wosniak.

O aperto na fiscalização prévia em portos estrangeiros ocorre em um momento em que a indústria de transformação nacional tenta mitigar flutuações de preços provocadas por crises geopolíticas e gargalos nas principais rotas marítimas globais. Segundo analistas de comércio exterior, o controle preventivo reduz o índice de desconformidade de cargas, o que evita atrasos na reposição de estoques no varejo físico nacional.

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