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Ecoturismo ou bioeconomia? Entenda os conceitos que colocam a preservação no centro da economia

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Modelos sustentáveis ganham espaço no Brasil ao unir conservação ambiental, geração de renda e desenvolvimento local

Durante muito tempo, sustentabilidade foi tratada apenas como uma pauta ambiental. Hoje, no entanto, ela também passou a ocupar espaço nas discussões econômicas. O crescimento do ecoturismo e da bioeconomia mostra como preservar áreas naturais pode gerar empregos, movimentar negócios e fortalecer comunidades locais sem depender da degradação ambiental.

Os números mais recentes reforçam essa mudança. Em 2025, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a visitação em unidades de conservação federais brasileiras movimentou R$ 40,7 bilhões em vendas, gerou R$ 20,3 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) e sustentou mais de 332 mil empregos no país. O levantamento do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também aponta que cada R$ 1 investido em conservação retornou R$ 16 para a economia brasileira. 

Apesar de frequentemente aparecerem juntos, ecoturismo e bioeconomia carregam diferenças importantes. O ecoturismo está ligado principalmente às experiências em ambientes naturais preservados. Parques, reservas, trilhas e rios se transformam em atrativos capazes de movimentar hotéis, restaurantes, transporte, comércio e serviços locais. Já a bioeconomia possui uma atuação mais ampla, envolvendo o uso sustentável da biodiversidade para produção de alimentos, cosméticos, medicamentos, tecnologia e inovação.

Embora tenham atuações diferentes, ecoturismo e bioeconomia aparecem cada vez mais associados em discussões sobre desenvolvimento sustentável. Enquanto um está ligado ao turismo em áreas preservadas, o outro envolve atividades econômicas baseadas no uso sustentável dos recursos naturais.

Para o presidente do Instituto Destino Brasil, Ademar Batista Pereira, o crescimento dessas iniciativas representa uma mudança importante na forma como o país enxerga desenvolvimento econômico. “Durante muitos anos, a sustentabilidade foi vista como obstáculo ao crescimento. Hoje, os próprios números mostram que preservar também movimenta a economia, gera emprego e fortalece comunidades inteiras”, afirma.

Segundo Ademar, tanto o ecoturismo quanto a bioeconomia ajudam a fortalecer economias locais e ampliar a relação entre preservação e desenvolvimento. “Quando uma área preservada passa a receber visitantes de forma responsável, toda uma cadeia é beneficiada, como pequenos empreendedores, guias, artesãos, restaurantes e produtores locais. Ao mesmo tempo, a bioeconomia propõe um desenvolvimento baseado no uso inteligente dos recursos naturais, transformando a biodiversidade em inovação, criando valor econômico a partir da conservação”, afirma.

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