Enquanto o setor projeta faturamento de R$ 55,62 bilhões em 2026, impulsionado pelo cenário climático, a Danfoss acelera o ritmo, com crescimento de dois dígitos, alta de 20% na produção em Osasco e carteira de pedidos recorde
A perspectiva de um novo ciclo do fenômeno El Niño e a previsão de temperaturas elevadas anteciparam o planejamento e a demanda em toda a cadeia do mercado de refrigeração e climatização. A expectativa de calor intenso acelerou decisões de compra e a busca por soluções térmicas em diferentes setores, movimentando a indústria e elevando as perspectivas de crescimento para o ano.
O aquecimento do mercado já se reflete de forma expressiva na operação da Danfoss, multinacional especializada em tecnologias para climatização, refrigeração e eficiência energética. Com uma entrada de pedidos no segundo trimestre acima das expectativas, a companhia registra, em 2026, uma carteira de encomendas superior à de 2025 e projeta crescimento de dois dígitos em sua operação brasileira de refrigeração.
O impacto da demanda antecipada atinge diretamente a produção nacional. Em Osasco (SP), onde a Danfoss mantém a maior fábrica do grupo no mundo dedicada a unidades condensadoras, a expectativa é de aumento de 20% na produção em 2026, alcançando um recorde histórico para a operação. Para assegurar essa capacidade e garantir agilidade no atendimento durante os meses de pico, a companhia já planeja a transição de um para dois turnos de trabalho na alta temporada.
“A combinação entre as condições climáticas e a necessidade de manter os equipamentos em operação faz com que o planejamento seja cada vez mais importante para toda a cadeia. Estamos acompanhando de perto essa movimentação e adotando medidas operacionais para garantir agilidade e eficiência no atendimento aos clientes durante os períodos de maior demanda”, afirmaEduardo Drigo, Regional Sales Driver de Unidades Condensadoras da Danfoss América Latina.
Calor aumenta pressão sobre equipamentos instalados
Além da aquisição de novos sistemas, o aumento das temperaturas eleva a exigência sobre os equipamentos que já estão em operação. Supermercados, padarias, restaurantes, açougues, lojas de conveniência e centros de distribuição dependem diretamente dessas tecnologias para a conservação de alimentos, o armazenamento de produtos e a continuidade dos negócios.
Com as máquinas submetidas a condições mais severas de funcionamento, ganham destaque as ações de manutenção preventiva, retrofit e reposição rápida de componentes. Para a indústria, esse comportamento exige um alinhamento prévio e rigoroso entre estoques, produção e logística.
“O aumento da temperatura impõe uma carga maior aos sistemas de refrigeração, que passam a operar por mais tempo e em condições mais exigentes. Por isso, a manutenção preventiva, a disponibilidade de peças e componentes e a avaliação da eficiência dos equipamentos são fatores importantes para evitar paradas e garantir a continuidade das operações”, complementa Roberto Pereira Jr., Gerente de Vendas da Danfoss Brasi.
Panorama do setor
De acordo com o Departamento de Economia e Estatística da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA), o setor de AVACR faturou cerca de R$ 50,15 bilhões em 2025. A entidade projeta um aumento de aproximadamente R$ 5 bilhões em 2026, levando o faturamento do setor a R$ 55,62 bilhões.
A associação espera que o fenômeno climático estimule a demanda por equipamentos de climatização até a primavera de 2027. Apesar disso, avalia que a conversão desse movimento em faturamento dependerá da evolução da economia, das condições de crédito e do comportamento do consumidor.








