Gestão Publica

Empresas que não revisarem preços podem perder competitividade com a Reforma Tributária, alerta especialista

4 Mins read

Especialista alerta que revisão da estratégia de precificação será decisiva para preservar margens e competitividade durante a transição para o novo sistema tributário

A Reforma Tributária deve provocar um dos maiores desafios estratégicos para as empresas brasileiras nos próximos anos: revisar a forma como definem os preços de produtos e serviços. Mais do que uma mudança fiscal, a transição para o novo modelo tributário poderá comprometer margens de lucro, afetar a competitividade e exigir decisões comerciais muito mais rápidas e baseadas em dados.

Com a substituição gradual de tributos como PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), empresas que mantiverem os mesmos critérios de precificação utilizados hoje correm o risco de absorver custos indevidos, perder rentabilidade ou repassar aumentos de forma inadequada ao mercado.

Segundo Frederico Zornig, CEO da Quantiz, consultoria especializada em Pricing e Revenue Management (RGM), a precificação deixará de ser uma atividade operacional para se tornar uma das principais ferramentas de gestão da competitividade.

“A Reforma Tributária não muda apenas os impostos. Ela altera toda a lógica econômica que sustenta a formação de preços. Empresas que continuarem utilizando os mesmos critérios de precificação correm o risco de perder margem, competitividade e capacidade de reação ao mercado”, afirma.

Essa mudança já vem sendo percebida pelo mercado. Um estudo da PwC Brasil mostra que 83% dos executivos brasileiros consideram a área tributária estratégica para a tomada de decisões de negócio, evidenciando que a reforma extrapola a esfera fiscal e passa a influenciar planejamento, investimentos, cadeia de suprimentos e competitividade.

Na prática, independentemente do porte ou segmento, as empresas precisam revisar a composição dos preços para refletir a nova estrutura tributária, preservando rentabilidade e evitando distorções comerciais na relação com clientes e fornecedores.

Empresas ainda estão pouco preparadas para rever a estratégia de preços

Embora a Reforma Tributária tenha como objetivo simplificar o sistema de arrecadação, sua implementação exigirá uma revisão profunda dos modelos utilizados pelas empresas para calcular custos, margens, rentabilidade e fluxos de caixa em função do também novo sistema de arrecadação tributária, o Split Payment.

No entanto, esse movimento ainda está em estágio inicial. Um levantamento da EY aponta que a maturidade das empresas para revisar suas estratégias de precificação diante das novas regras alcança apenas 1,37 em uma escala de 1 a 5, indicando que boa parte das organizações ainda não está preparada para enfrentar esse novo cenário.

Para Zornig, o desafio vai muito além do departamento tributário e exige uma atuação integrada entre as áreas fiscal, financeira, comercial e estratégica.

“Preço não pode mais ser definido apenas pelo histórico da empresa ou pela movimentação da concorrência. Será necessário compreender como a tributação impacta cada operação, cada cliente e cada canal de venda. Isso exige inteligência analítica e decisões muito mais rápidas”, afirma.

Segundo o executivo, a carga tributária poderá variar entre produtos, serviços, regiões e cadeias produtivas, tornando indispensável uma política de precificação capaz de acompanhar essas mudanças continuamente.

Tecnologia deixa de ser diferencial e passa a ser necessidade

A nova dinâmica tributária também amplia a importância da tecnologia na gestão de preços.

Segundo o 1º Panorama da Gestão de Despesas Corporativas no Brasil, realizado pela Conta Simples em parceria com a Visa, 39% das micro, pequenas e médias empresas ainda utilizam processos manuais, como cadernos e planilhas, para administrar despesas, enquanto 65% recorrem às planilhas como principal ferramenta de gestão. O cenário evidencia que boa parte das decisões empresariais ainda é tomada sem plataformas integradas ou análises em tempo real.

Para Zornig, esse modelo tende a se tornar cada vez menos eficiente diante da Reforma Tributária.

Com milhares de combinações possíveis entre custos, impostos, margens e posicionamento comercial, ferramentas de análise de dados, automação e inteligência artificial passam a desempenhar um papel decisivo na definição dos preços.

“Não basta recalcular preços uma única vez. A Reforma Tributária cria um ambiente dinâmico, que exigirá monitoramento contínuo, testes e ajustes frequentes para garantir competitividade e rentabilidade”, explica.

Segundo o executivo, empresas que investirem em plataformas capazes de simular cenários tributários e acompanhar indicadores em tempo real terão maior capacidade para proteger margens e responder rapidamente às mudanças do mercado.

Quem começar antes terá vantagem competitiva

Apesar da implementação ocorrer de forma gradual, a preparação das empresas ainda avança lentamente.

De acordo com o Panorama do Contas a Pagar 2026, da Qive, 40% das empresas brasileiras ainda não iniciaram o mapeamento dos impactos da Reforma Tributária, enquanto 25% afirmam que pretendem começar esse processo. Apenas 38% já iniciaram efetivamente a análise dos impactos das novas regras, demonstrando que grande parte das organizações ainda não estruturou sua estratégia de adaptação.

Para o CEO da Quantiz, esperar a vigência completa da reforma pode significar perder tempo precioso para testar cenários, revisar contratos, adequar sistemas e redefinir políticas comerciais.

“A Reforma Tributária deve ser encarada como uma oportunidade para modernizar a gestão de preços. As empresas que utilizarem esse momento para estruturar processos, integrar dados e fortalecer sua inteligência comercial sairão mais preparadas para competir nos próximos anos”, conclui Frederico Zornig.

Related posts
Gestão Publica

Nova composição do Congresso pode abrir espaço para uma agenda fiscal mais rigorosa, avalia especialista

2 Mins read
Mudança no perfil da Câmara e do Senado pode influenciar os rumos da política tributária e das discussões sobre a reforma tributária…
Gestão Publica

Reforma tributária exige revisão de contratos empresariais para evitar conflitos na transição de impostos

3 Mins read
Entrada de IBS e CBS exige revisão de preços, repasses e responsabilidades em acordos firmados antes do novo sistema Contratos empresariais assinados…
Gestão Publica

Reforma Tributária: novo tributo federal começa a ser cobrado em 2027 e exige preparação das empresas

2 Mins read
Webinar gratuito reúne especialistas para demonstrar, de forma prática e objetiva, os processos que devem ser priorizados até dezembro para evitar contratempos…