Mais da metade das empresas acredita que a área operacional será a mais impactada por uma possível redução da jornada; Entre os desafios apontados, 66,8% mencionam a expectativa de aumento dos custos, segundo pesquisa da Catho
Além da adaptação em escalas de trabalho, uma eventual mudança na jornada poderá transformar a rotina operacional das empresas brasileiras. De acordo com uma pesquisa realizada pela Catho, plataforma de empregos pioneira no Brasil, 51,4% das organizações acreditam que aea operacional será a mais impactada por uma possível alteração na escala 6×1, evidenciando a preocupação dos empregadores com a manutenção das atividades do dia a dia.
A percepção das empresas também aponta para impactos financeiros. Segundo o levantamento, 66,8% acreditam que uma eventual redução da jornada poderá elevar os custos operacionais, seja de forma significativa ou moderada. O dado revela que, para a maioria dos empregadores, o principal desafio será encontrar formas de manter a produtividade e a cobertura das operações sem comprometer o equilíbrio financeiro do negócio.
Apesar desse cenário, a tecnologia ainda não aparece como prioridade para a maior parte das empresas. Quatro em cada dez organizações (42,2%) afirmam que não pretendem investir em automação como estratégia para enfrentar uma possível mudança na jornada. Ao mesmo tempo, 33% pretendem realizar esse tipo de investimento e outras 24,8% já estão automatizando processos, indicando que parte do mercado começa a enxergar a tecnologia como uma aliada para aumentar a eficiência operacional.
“A pesquisa expôs um cenário de como as empresas estão olhando para esse debate, principalmente sob a perspectiva da continuidade da operação. Existe uma preocupação legítima com produtividade, custos e organização das equipes, mas também percebemos que muitas organizações ainda estão avaliando os caminhos que fazem mais sentido para sua realidade. Não existe uma solução única, porque cada negócio possui características e necessidades diferentes”, afirma Patricia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora da Catho.
Embora os desafios sejam evidentes, o levantamento também revela oportunidades. Para 38,5% das empresas, jornadas menores podem contribuir para melhorar a retenção de talentos, enquanto 39,5% acreditam que esse benefício dependerá do cargo ou da atividade desempenhada, indicando que os impactos não deverão ser homogêneos entre todas as funções.
A pesquisa também mostra que o mercado ainda adota uma postura cautelosa em relação às mudanças. Quando questionadas sobre a ampliação de modelos de trabalho mais flexíveis, 46,8% das empresas afirmam que ainda estão avaliando essa possibilidade, enquanto apenas 20,2% já consideram ampliar esse tipo de prática.
Para Patrícia, os resultados demonstram que a discussão sobre a jornada de trabalho exige, sobretudo, uma análise das particularidades de cada empresa.
“Independente do formato que venha a ser adotado no futuro, as organizações precisarão conhecer as áreas mais sensíveis às mudanças e planejar adaptações compatíveis a operação. O desafio não será apenas reorganizar escalas, mas encontrar um equilíbrio entre sustentabilidade do negócio e uma experiência positiva para os profissionais”, finaliza Suzuki.








