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Imóveis usados já são 70% dos financiamentos: o novo ficou caro?

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Mais de sete em cada dez operações do SBPE envolveram unidades usadas no primeiro semestre de 2026, revelando uma mudança na compra da classe média.

O imóvel usado ganhou uma vantagem expressiva na disputa pelo comprador brasileiro. Mais de 70% das operações realizadas com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, o SBPE, envolveram unidades usadas no primeiro semestre de 2026. O dado foi divulgado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança, entidade que acompanha uma das principais fontes de financiamento habitacional da classe média e dos segmentos de maior renda.

Para Murilo Arjona, especialista em financiamento imobiliário, a preferência não pode ser explicada apenas pelo valor anunciado. “O imóvel usado costuma oferecer localização mais central, metragem maior e espaço para negociação. Em alguns casos, o comprador também encontra uma unidade já mobiliada e pronta para morar, sem precisar aguardar a conclusão de uma obra”, afirma.

Entre janeiro e junho, os financiamentos do SBPE destinados à aquisição de imóveis somaram R$ 67,2 bilhões, crescimento de 12% em relação ao mesmo período de 2025. Quase 130 mil unidades novas e usadas foram financiadas. A predominância dos usados indica que o crédito continuou circulando, mas a demanda se concentrou nos imóveis que apresentavam melhor combinação entre preço, localização e possibilidade de ocupação imediata.

O valor dos lançamentos reúne custos de terreno, construção, mão de obra, equipamentos e estrutura de lazer, além das características incorporadas aos empreendimentos mais recentes. Em bairros consolidados, onde existe menos espaço disponível para novos projetos, uma unidade usada pode colocar o comprador mais perto do trabalho, de escolas, do comércio e do transporte público. Também pode oferecer uma área maior dentro do mesmo orçamento.

A avaliação feita pelo banco pode mudar o resultado da compra. A instituição verifica as condições jurídicas e físicas do imóvel e estima o valor de mercado que servirá de referência para a operação. Quando a avaliação fica abaixo do preço negociado, o financiamento pode ser menor do que o comprador esperava, exigindo uma entrada maior. Pendências na matrícula, ampliações sem registro ou problemas na documentação ainda podem atrasar ou impedir a liberação do crédito.

Nos lançamentos, o comprador precisa observar outro conjunto de custos. Dependendo do contrato, parte do valor é paga diretamente à incorporadora durante a construção, enquanto o saldo restante será financiado próximo à entrega das chaves. Nesse intervalo, correções previstas no contrato e uma futura análise de crédito podem alterar o planejamento inicial. A unidade nova reduz gastos imediatos com reforma, mas exige que o comprador acompanhe o cronograma da obra até receber o imóvel.

No mercado de usados, a possibilidade de negociar uma unidade mobiliada também influencia a decisão. Armários planejados, eletrodomésticos e móveis incluídos na venda podem reduzir o desembolso necessário depois da compra. A negociação precisa deixar claro quais itens permanecerão no imóvel e registrar essas condições no contrato, evitando divergências no momento da entrega das chaves.

“O comprador deve colocar na mesma conta a entrada, a prestação, os custos de documentação, uma eventual reforma e o condomínio. Um imóvel usado aparentemente mais barato pode exigir investimentos depois da compra, enquanto uma unidade mobiliada e bem conservada pode representar economia e permitir uma mudança mais rápida”, explica Arjona.

A disponibilidade imediata pesa especialmente para quem paga aluguel ou precisa se mudar em pouco tempo. Depois da aprovação do financiamento, da assinatura e do registro do contrato, o comprador pode ocupar o imóvel sem depender do andamento de uma construção. Essa diferença ajuda a explicar por que muitas famílias aceitam comparar prédios mais antigos com lançamentos menores ou localizados em regiões mais afastadas.

A participação de 70% mostra que o comprador está adaptando a busca ao crédito e às necessidades da vida cotidiana. Preço continua sendo decisivo, mas localização central, negociação de móveis e entrega imediata passaram a ter peso relevante. A melhor escolha aparece quando essas vantagens são comparadas com o estado de conservação, a documentação e o valor efetivamente aprovado pelo banco.

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