Enquanto o debate avança no Congresso, empresários já projetam impactos sobre competitividade, preços, automação e geração de empregos
A possível extinção da escala 6×1 já influencia decisões estratégicas dentro das empresas brasileiras. É o que mostra a edição de maio do Índice Mercado & Opinião (IMO), levantamento que ouviu empresários, CEOs e membros de conselho de diferentes setores da economia para avaliar os impactos esperados da proposta atualmente em discussão no congresso nacional.
Os resultados revelam um ambiente de cautela no setor produtivo. O indicador de confiança empresarial ficou em 5,1 pontos, mantendo-se abaixo do nível observado no final de 2025. Ao mesmo tempo, a maioria dos entrevistados associa a mudança da jornada a aumento de custos operacionais, necessidade de contratação adicional e pressão sobre margens de lucro.
Segundo Marcos Koenigkan, Presidente do Mercado & Opinião e coordenador institucional do Índice, levantamento evidencia que a discussão ultrapassou o campo político e passou a integrar o planejamento estratégico das empresas.
“A pesquisa mostra que os empresários estão analisando os possíveis impactos da medida sobre produtividade, competitividade e sustentabilidade dos negócios. Independentemente do resultado da votação, o tema já passou a influenciar decisões importantes dentro das organizações”.
O estudo também indica que as empresas não estão apenas observando o debate, mas iniciando movimentos de adaptação. O repasse de custos aparece como a principal resposta esperada, seguido por iniciativas voltadas ao ganho de eficiência operacional e ao avanço da automação.
A percepção de impacto, no entanto, varia de acordo com o perfil de cada setor. Comércio, serviços, varejo alimentar, construção civil e indústria concentram os maiores níveis de preocupação, principalmente por dependerem de operações presenciais e de mão de obra intensiva. Em contrapartida, empresas de tecnologia e do setor financeiro demonstram maior capacidade de absorção das mudanças, impulsionadas por processos mais digitalizados e estruturas operacionais mais flexíveis.
Para Lucas Borges, responsável pela análise técnica do estudo, o contexto econômico amplia a sensibilidade do tema. “A discussão acontece em um momento marcado por juros elevados, crédito mais restrito e desafios persistentes de produtividade. Isso faz com que qualquer alteração estrutural na jornada de trabalho seja analisada sob a ótica da competitividade e da capacidade de adaptação das empresas.”
Outro ponto identificado pelo levantamento é o potencial de aceleração de tendências já presentes no mercado. A digitalização, a automação e os modelos híbridos vinham transformando a organização do trabalho em diversos segmentos. Na avaliação dos entrevistados, a redução da jornada pode intensificar esse processo, especialmente em setores mais pressionados por custos e com menor flexibilidade operacional.
Para Marcos Koenigkan, a principal contribuição do Índice Mercado & Opinião é oferecer uma leitura das percepções e movimentos que começam a surgir no ambiente empresarial.
“Nosso objetivo é acompanhar como os líderes empresariais interpretam as mudanças que afetam a economia. Muitas vezes, as expectativas e decisões captadas pelo índice funcionam como sinais antecipados de tendências que mais tarde se refletem nos indicadores econômicos.”
A edição de maio do IMO mostra que, independentemente do desfecho legislativo, a discussão sobre a jornada de trabalho já produz efeitos concretos sobre a forma como as empresas planejam investimentos, custos, operações e produtividade. Mais do que um debate trabalhista, o tema passou a integrar as preocupações centrais do setor produtivo brasileiro.








