Tecnologia

Infraestrutura em telecom: o modelo que o Brasil precisa para democratizar a conectividade

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No Brasil, ter acesso à internet ainda depende de onde você nasceu. O modelo cooperativo surge como alternativa concreta para mudar essa equação

O Brasil encerrou 2025 com números que impressionam: 270,2 milhões de acessos celulares, 58,1 milhões de conexões 5G e a fibra óptica presente em mais de 4.600 municípios, cobrindo mais de 83% do território nacional, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O Índice Brasileiro de Conectividade (IBC) avançou, e 82,8% dos municípios registraram melhora na infraestrutura de acesso. Em paralelo, os investimentos estrangeiros no setor cresceram 20,4% em 2025, totalizando R$ 39,1 bilhões.

Mas os números agregados escondem uma realidade mais complexa. A expansão do 5G foi proporcionalmente maior nas regiões de maior poder aquisitivo. Estados do Norte e Nordeste, apesar de liderarem o crescimento percentual de usuários de internet entre 2019 e 2024, 18,2% e 17,2%, respectivamente, ainda partem de uma base significativamente menor de infraestrutura instalada. 

O mercado de telefonia móvel permanece concentrado em grupos econômicos, responsáveis por cerca de 94% da base ativa. Na banda larga fixa, embora o ambiente seja mais competitivo, são os provedores independentes que respondem por mais de 63% das conexões e por grande parte da expansão em áreas antes desassistidas.

É nesse cenário que o modelo cooperativo de infraestrutura em tecnologia e telecomunicações ganha relevância estratégica. Cooperativas especializadas nesse segmento defendem que a descentralização da infraestrutura é o caminho mais eficaz para garantir que a conectividade chegue onde o mercado tradicional não tem incentivo para chegar. 

Igor Sigiani, Diretor-Presidente da Coopercompany, cooperativa do ramo de infraestrutura com foco em telecom, tecnologia e energia, concorda que o Brasil avançou muito, mas analisa que a lógica de mercado tem limites claros quando o assunto é inclusão digital. Municípios menores, zonas rurais e comunidades periféricas não são rentáveis o suficiente para o modelo convencional. “O cooperativismo é a solução para esse problema porque o propósito não é o lucro do acionista, é o empoderamento do cooperado com soluções acessíveis e inteligentes que proporcionam o exercício de suas atividades pessoais e profissionais com mais eficiência e maior qualidade. Quando a infraestrutura pertence a quem a usa, o interesse em expandir e manter a qualidade é genuíno e transforma verdadeira a sociedade”, afirma o executivo.

A convergência entre tecnologia e cooperativismo encontra respaldo nos próprios dados do setor. Em 2025, aproximadamente 73% dos acessos fixos no Brasil já utilizavam tecnologia FTTH (Fiber to the Home), reflexo de uma migração acelerada para conexões mais estáveis e de maior capacidade. Ao mesmo tempo, o país ainda enfrenta o desafio de garantir que essa infraestrutura chegue com qualidade e preço acessível aos segmentos mais vulneráveis da população, um desafio que, segundo Sigiani, o modelo cooperativo tem condições únicas de enfrentar.

Com investimentos setoriais estabilizados em torno de R$ 40 bilhões por ano desde a privatização do setor, o desafio passa a ser menos de volume financeiro e mais de distribuição e governança dos recursos. 

“A cooperativa não abandona o território. Ela nasce dele. E isso muda completamente a equação de investimento em infraestrutura. Não se trata mais de levar tecnologia para o interior; trata-se de construir, junto com as comunidades, uma infraestrutura que seja delas. Esse é o modelo que o Brasil precisa para, de fato, democratizar o acesso à conectividade”.

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