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Investigações dos EUA sobre o Pix reacendem debate sobre inovação e competitividade no setor financeiro

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Créditos da foto: Divulgação
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Enquanto EUA questionam supostas vantagens competitivas, especialista destaca que sucesso do PIX se deve a tecnologia aberta e inclusão financeira

Brasília, 17 de julho de 2025 — O Pix está sob investigação pelo governo dos Estados Unidos, que alega possíveis “práticas desleais” em um processo aberto a pedido do ex-presidente Donald Trump. Enquanto o Escritório de Comércio dos EUA (USTR) questiona supostas vantagens concedidas ao sistema brasileiro, especialistas destacam que o sucesso do Pix é fruto de uma arquitetura financeira robusta e inovadora, não de distorções de mercado.

Fred Amaral, CEO da Lerian, startup brasileira especializada em soluções open source para core banking, argumenta que o Pix é apenas a parte mais visível de um ecossistema bem estruturado:

“A arquitetura financeira brasileira é uma das mais bem construídas do mundo: aberta, escalável e, principalmente, interoperável. O Pix virou símbolo, mas é só a camada mais visível de um ecossistema sólido — pensado com rigor técnico, coordenação institucional e visão de longo prazo. Não importa se foi construído ou se é gerido por um órgão público ou privado. Importa que funciona. E os dados de adoção e usabilidade mostram exatamente isso: foi uma construção orquestrada que gerou inclusão, eficiência e escala. O problema nunca foi capacidade técnica. O problema sempre foi onde escolhem colocar essa capacidade.”

Já Alex Tabor, CEO da Tuna Pagamentos, fintech líder em orquestração de pagamentos no Brasil, defende o método de pagamento como “a implementação brasileira de um fenômeno que já se espalha pelo mundo. Índia introduziu o UPI, o equivalente de Pix da Índia. O Banco Central brasileiro contratou a mesma empresa que fez o trabalho para Índia para criar o Pix. Mesmo os EUA criaram uma tecnologia de transferência de dinheiro parecido, chamado FedNow”, conta. “Se vão fazer um argumento jurídico de concorrência desleal, vão ter que fazer em todos os outros países também. De qualquer forma, deveriam tentar baratear o custo de serviços dentro do mercado dos EUA ao invés de tentar atrapalhar as inovações em outros países que geraram uma eficiência maior”, reflete o executivo. 

Contexto da investigação

O PIX integra formalmente a relação de questionamentos no processo investigativo movido pelo governo americano. As alegações sugerem que a plataforma nacional receberia tratamento privilegiado em prejuízo de competidores internacionais.

Por que o PIX é um caso de sucesso?

  • Inclusão financeira: mais de 160 milhões de usuários ativos no Brasill;
  • Eficiência: transações em segundos, 24/7, com custo próximo de zero;
  • Interoperabilidade: integração entre bancos públicos, privados e fintechs sem favorecimentos.

Para Amaral, a investigação reflete menos uma preocupação com “práticas desleais” e mais uma disputa pela liderança no setor de pagamentos digitais. “Quando um modelo funciona e vira referência global, é natural que gere tensões comerciais. O PIX mostrou que é possível ter um sistema público eficiente sem fechar o mercado para a iniciativa privada”, finaliza.

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