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Liga de óticas independentes nasce para enfrentar avanço das grandes redes no Brasil

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Movimento liderado por empresário gaúcho reuniu 140 lojas de mais de 10 estados e apresentou modelo híbrido para preservar autonomia de óticas familiares diante da consolidação do setor

Em um mercado cada vez mais pressionado pela expansão agressiva das grandes redes e franquias, um grupo de óticas independentes decidiu reagir. A partir de uma dor vivida na prática por empresários do setor, nasceu a Liga de Óticas Visionárias (LOV), iniciativa criada pela rede gaúcha Tri-Jóia em parceria com a XR Advisor e o Grupo HiperSaúde, com o objetivo de consolidar um modelo nacional de fortalecimento das óticas familiares sem que elas precisem abrir mão de suas marcas, identidades e independência operacional.

O lançamento oficial da LOV aconteceu ontem, 21 de maio, na sede da XR Advisor, em Alphaville (SP), reunindo empresários do setor óptico de diferentes regiões do país. A liga já nasce com 140 lojas associadas distribuídas em mais de 10 estados brasileiros e, se considerada como uma rede única, já estaria entre as maiores operações ópticas do país em número de unidades.

O movimento surge em meio a um cenário de forte consolidação do varejo óptico brasileiro. Dados da Abióptica apontam que o Brasil possui mais de 70 mil pontos de venda no setor, mas o avanço das grandes redes vem acelerando a concentração de mercado, repetindo um fenômeno já observado em segmentos como farmácias e alimentação. Hoje, gigantes do setor operam com centenas de unidades e forte poder de barganha junto à indústria, enquanto pequenos lojistas enfrentam dificuldades crescentes em áreas como negociação, tecnologia, gestão e marketing.

Foi justamente observando esse movimento que o empresário William Silva, CEO da Tri-Jóia e idealizador da LOV, decidiu estruturar um modelo alternativo às franquias tradicionais. “Eu percebi que o mercado caminhava para um cenário em que o independente teria apenas duas opções: virar franquia ou desaparecer. O problema é que muitos empresários não querem abrir mão da própria história, da cultura da empresa e da liberdade de gestão. Então começamos a construir um modelo híbrido, que entrega força de rede, poder de negociação e processos estruturados sem tirar a identidade do lojista”, afirma Silva.

A inspiração veio de modelos internacionais de ligas esportivas e redes colaborativas. Na prática, a LOV funciona como um ecossistema compartilhado de gestão, tecnologia, marketing, treinamento e compras, permitindo que óticas independentes tenham acesso a uma estrutura comparável à das grandes redes sem abandonar suas marcas locais.

O slogan do movimento resume a proposta: “Liberdade de dono, escala de franquia e poder de rede”.

A estrutura da liga combina expertises complementares. A Tri-Jóia aporta o modelo comercial e operacional validado ao longo de décadas no varejo óptico; a XR Advisor entra com governança, estratégia e expansão; enquanto o Grupo HiperSaúde — que reúne mais de mil farmácias independentes no Brasil — contribui com know-how operacional em redes associativistas.

Para Rodolfo Oliveira, fundador e CEO da XR Advisor, o movimento representa uma resposta estratégica à concentração de mercado que vem transformando diversos segmentos do varejo brasileiro. “O pequeno e médio empresário brasileiro perdeu competitividade porque ficou isolado. As grandes redes ganharam escala, tecnologia e poder de negociação. O que estamos construindo aqui é um modelo que preserva histórias empreendedoras locais, mas entrega inteligência coletiva e estrutura profissional para que essas empresas consigam competir e crescer”, afirma Oliveira.

A expectativa da LOV é acelerar a expansão nacional nos próximos anos, sobretudo em cidades do interior, onde as óticas independentes ainda possuem forte relevância regional. A meta é consolidar a liga como a principal rede colaborativa do varejo óptico brasileiro, antecipando um movimento de consolidação que, segundo os fundadores, deve se intensificar nos próximos anos, seguindo o padrão já observado nos mercados europeu, asiático e norte-americano. “Não queremos criar mais uma franquia. Queremos criar um movimento capaz de mudar a lógica do setor no Brasil”, conclui William Silva.

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