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Conaje alerta que El Niño pode pressionar preços nos supermercados

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Entidade recomenda revisão de custos, fluxo de caixa, logística e crédito diante dos riscos à produção e ao abastecimento

O El Niño já está estabelecido e deve ganhar intensidade no segundo semestre de 2026, aumentando os riscos para a produção agropecuária, a logística e o abastecimento no Brasil. Para a Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje), os efeitos podem chegar ao consumidor por meio da redução da oferta de alguns produtos e da alta dos preços nos supermercados. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que altera os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões.

Modelos climáticos indicam probabilidade superior a 90% de permanência do El Niño até pelo menos o início de 2027, com possibilidade de intensidade muito forte entre a primavera e o verão. As previsões também apontam temperaturas acima da média em grande parte do país e aumento do risco de ondas de calor no segundo semestre.

Uma consulta realizada pelo Banco Central com quase 100 economistas, divulgada pela Reuters, estimou que o fenômeno pode acrescentar 0,3 ponto percentual à inflação de 2026 e 0,4 ponto em 2027. Os alimentos devem estar entre os primeiros itens afetados. O impacto foi calculado sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação brasileira.

Na avaliação da Conaje, as consequências não devem ficar restritas ao campo. Perdas na produção, aumento dos custos logísticos e dificuldades operacionais podem atingir diferentes etapas da cadeia e chegar às gôndolas.

“O consumidor é a última ponta da cadeia produtiva. Quando há quebra de produção, aumento dos custos logísticos e maior dificuldade operacional, parte desse impacto acaba chegando às gôndolas dos supermercados”, afirma Fábio Saraiva, presidente da Conaje.

como um fator de maior instabilidade climática e produtiva, com consequências diferentes conforme a região e a atividade.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também incluiu o novo evento de El Niño entre os temas que preocupam agentes das cadeias produtivas e do abastecimento de alimentos. O acompanhamento dos preços e da oferta é especialmente relevante para frutas e hortaliças, produtos mais sensíveis às variações de temperatura e chuva.

Como produtores e empresários podem se preparar

Diante do cenário, a Conaje recomenda que produtores rurais e empresários reforcem o planejamento financeiro e operacional. Entre as medidas estão revisar o fluxo de caixa, identificar possibilidades de reduzir desperdícios e custos, antecipar decisões logísticas e avaliar a necessidade de buscar linhas de crédito.

“Mais do que nunca, os empresários precisam organizar o fluxo financeiro, identificar onde podem reduzir custos e buscar alternativas de crédito para atravessar esse período de maior instabilidade”, afirma Saraiva.

Segundo o presidente da entidade, o agronegócio brasileiro tem histórico de adaptação diante de adversidades climáticas, mas a capacidade de resposta dependerá da preparação de cada negócio. Como a intensidade e os efeitos do El Niño variam entre as regiões, o planejamento antecipado pode reduzir perdas, preservar a produção e contribuir para a manutenção do abastecimento.

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