Franquia

Na contramão dos juros altos, franquias financeiras viram refúgio para empreendedores 

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Modelos escaláveis e de menor custo operacional viram aposta certeira para empresários driblarem a cautela econômica

Enquanto o crédito mais caro pressiona consumidores e empresas, as franquias financeiras avançam como aposta de empreendedores em busca de negócios mais enxutos e escaláveis. O movimento acompanha a expansão do próprio franchising brasileiro, que faturou R$273 bilhões em 2025, alta de 13,5%, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). No segmento de Serviços e Outros Negócios, onde se inserem operações financeiras e consultivas, o crescimento foi de 13,2%, indicando o avanço de modelos menos tradicionais em meio à cautela econômica.

Para Carlos Fuzinelli, CEO e cofundador da FVL Consórcios, empresa especializada em planejamento financeiro e aquisição patrimonial por consórcios, o ambiente econômico atual alterou o perfil de quem busca empreender. Segundo ele, o interesse crescente por franquias financeiras reflete uma leitura mais pragmática do mercado, com empresários priorizando modelos que exijam menor estrutura operacional e ofereçam maior previsibilidade comercial.

“Em momentos de juros elevados e maior cautela econômica, o empreendedor tende a olhar com mais atenção para negócios que exigem menos complexidade operacional e tenham potencial real de escala. As franquias financeiras entram nesse radar porque combinam demanda recorrente com uma estrutura mais enxuta”, afirma.

O avanço desse tipo de operação acompanha também mudanças no comportamento financeiro do brasileiro. Com o crédito tradicional mais caro e maior preocupação com endividamento, soluções ligadas a planejamento patrimonial e aquisição programada passaram a ganhar mais espaço entre consumidores, criando um ambiente favorável para negócios conectados a esse tipo de demanda. 

Dados do Banco Central mostram que a taxa média de juros nas concessões de crédito livre para pessoas físicas segue em patamares elevados, mantendo a cautela dos consumidores e pressionando decisões financeiras.

Na avaliação de Fuzinelli, o movimento vai além da busca por um modelo de franquia. “O empreendedor hoje está mais seletivo. Não basta apenas abrir um negócio, existe uma preocupação maior com sustentabilidade da operação, escalabilidade e retorno sobre investimento. Isso favorece formatos estruturados, com metodologia validada e suporte comercial.”

A FVL segue esse caminho em sua expansão. O modelo da marca aposta na padronização do atendimento e no suporte aos franqueados para tentar trazer mais estabilidade e menos sustos na rotina do negócio.

“Existe também uma mudança importante no próprio conceito de empreendedorismo. Muitos empresários deixaram de associar crescimento apenas a operações físicas robustas e passaram a valorizar negócios baseados em relacionamento, consultoria e inteligência comercial. Esse é um movimento que deve continuar enquanto o ambiente econômico seguir exigindo decisões mais cautelosas”, diz.

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