Plataforma utiliza inteligência artificial que permite acesso aos dados fiscais com linguagem simples e acessível, ampliando a transparência e o controle sobre a aplicação dos recursos públicos
Compreender como o dinheiro público é arrecadado e gasto sempre foi um desafio para grande parte da população brasileira. Embora governos disponibilizem informações sobre receitas, despesas, investimentos e endividamento, esses dados eram publicados em relatórios extensos, tabelas complexas e documentos repletos de termos técnicos, o que dificultava sua compreensão pelo cidadão comum . Agora, essa realidade começa a mudar com o lançamento do Siconfi IA, ferramenta de inteligência artificial criada pelo Tesouro Nacional para tornar as finanças públicas mais acessíveis e compreensíveis para todos.
A nova plataforma funciona como um assistente virtual capaz de interpretar dados do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi), uma das maiores bases de informações fiscais do país. Ao invés de exigir conhecimento técnico para navegar por planilhas e relatórios, o sistema permite que qualquer pessoa faça perguntas em linguagem simples e receba respostas objetivas. Dessa forma, informações que antes exigiam horas de pesquisa passam a estar disponíveis em poucos segundos.
Para o advogado tributarista Daniel Guimarães, a iniciativa representa um avanço importante no fortalecimento da transparência pública. “A divulgação de dados governamentais sempre esteve associada ao cumprimento de exigências legais e mesmo publicados de forma correta, eram apresentados em formatos de difícil entendimento para a maioria das pessoas. Isso gerou, por muito tempo, uma sensação de “falsa transparência” já que essas informações sempre estiveram disponíveis, mas permaneciam inacessíveis devido à complexidade técnica”, observa.
Guimarães acredita que o novo recurso irá ampliar o acesso às informações públicas ao tornar os indicadores fiscais mais simples de consultar e interpretar. “Ao reduzir a complexidade que muitas vezes afasta a população da análise das contas públicas, a tecnologia pode estimular uma participação mais ativa dos cidadãos no acompanhamento dos gastos governamentais, fortalecendo a transparência e o controle social sobre a aplicação dos recursos públicos”, avalia.
O tributarista também afirma que o acesso mais rápido aos dados fiscais poderá facilitar a produção de análises sobre a situação econômica de estados e municípios, beneficiando pesquisadores, jornalistas e veículos de comunicação. “Quem trabalha com a informação ganhará mais agilidade para interpretar as informações. Além disso, gestores públicos poderão comparar indicadores e avaliar a eficácia das políticas públicas e os próprios cidadãos terão mais embasamento para acompanhar com mais facilidade a aplicação dos recursos arrecadados pelos impostos. Sem dúvida, é um recurso que trará muitos ganhos para diversos setores da sociedade”, diz.
Segundo o advogado, a inteligência artificial também permitirá que a pessoa que consultar a plataforma formule perguntas diretas e obtenha respostas compreensíveis. “A plataforma é acessível e acompanha uma tendência global de utilização da inteligência artificial para ampliar o acesso à informação e melhorar a relação entre os governos e os cidadãos. Isso demonstra a preocupação do governo em aumentar a eficiência e fortalecer a transparência em uma área tradicionalmente considerada técnica e de difícil compreensão”, comenta.
Guimarães alerta para um importante desafio que o Siconfi IA deverá enfrentar para se transformar em instrumento efetivo de acesso à informação, que é garantir a precisão das respostas geradas pela inteligência artificial. O especialista ressalta que, como qualquer sistema baseado em IA, o assistente virtual precisa minimizar riscos de interpretações equivocadas e assegurar que as informações apresentadas reflitam com fidelidade os dados oficiais para que cidadãos, pesquisadores e gestores utilizem a plataforma com segurança.
“Disponibilizar a tecnologia é apenas a primeira parte do processo. Seu uso precisará ser incentivado e suas funcionalidades amplamente divulgadas para que a população perceba que o orçamento público não é um tema distante, mas uma questão diretamente ligada aos serviços, investimentos e decisões que afetam o cotidiano dos cidadãos”, arremata.








