Com apenas 4% de vacância, mercado deve receber cerca de US$ 8 bilhões em investimentos em 2026 e já possui 56% da nova capacidade em construção previamente contratada. Regime tributário sancionado nesta semana reduz custos para novos projetos e aumenta a disputa por áreas com grande oferta de energia, fibra óptica e condições para expansão.
Com apenas 4% de vacância, cerca de US$ 8 bilhões em investimentos previstos para 2026 e 240 MW de nova capacidade programados para entrar em operação neste ano, o mercado brasileiro de data centers ganhou um novo estímulo. Sancionada em 15 de setembro, a Lei 15.504/2026 criou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata, justamente em um momento em que 56% da capacidade em construção já está pré-locada. Segundo a JLL, o setor cresceu, em média, 15% ao ano e multiplicou por seis o seu tamanho desde 2012.
A projeção é de uma expansão ainda maior: o Brasil possui 660 MW de data centers em construção, equivalentes a cerca de US$ 17,4 bilhões em investimentos, além de outros 4.621 MW projetos futuros, e a expectativa da JLL é que o mercado dobre de tamanho até 2030.
A nova lei suspende quatro tributos federais sobre equipamentos destinados aos data centers: o imposto de importação por até cinco anos e PIS, Cofins e IPI até 31 de dezembro de 2026. O governo estima impacto fiscal de R$ 5,2 bilhões em 2026 e cerca de R$ 1 bilhão em cada um dos dois anos seguintes. Em contrapartida, as empresas deverão atender toda a demanda elétrica com fontes renováveis ou de baixa emissão, manter índice de eficiência hídrica de até 0,05 litro por kWh, investir no Brasil o equivalente a 2% do valor dos equipamentos beneficiados em pesquisa, desenvolvimento e inovação e disponibilizar pelo menos 10% da capacidade instalada ao mercado nacional.
Para Douglas Curi, CEO da Sort Investimentos e especialista em investimentos imobiliários, a expansão coloca um novo tipo de terreno no radar dos investidores. “O data center é a tradução física da economia digital. São estruturas que exigem terrenos maiores, energia em alta capacidade, sistemas de refrigeração, segurança, redundância elétrica, conectividade por fibra óptica e licenciamento adequado. Por isso, não é qualquer área que pode receber esse tipo de operação. Com o aumento dos investimentos, terrenos que reúnem essas características passam a ter uma demanda que praticamente não existia nessa escala há alguns anos”, afirma.
Hoje, São Paulo concentra 38% da capacidade nacional, principalmente nos eixos da capital, Barueri e Campinas, mas novos polos já começam a alterar esse mapa. Fortaleza, por exemplo, possui 227 MW em construção, volume que deve representar crescimento de 1.179,7% da capacidade local.
“Energia, conexão, disponibilidade de áreas e possibilidade de expansão passam a definir a localização desses ativos. É um movimento que pode criar novos polos imobiliários e aumentar a procura por terrenos antes analisados sob uma lógica completamente diferente”, conclui Curi.








