Vittude destaca como a profissão pode contribuir para identificar riscos psicossociais e prevenir o adoecimento relacionado ao trabalho
A crescente atenção aos riscos psicossociais relacionados ao trabalho está ampliando a discussão sobre o papel do psicólogo dentro das organizações. Para além do atendimento clínico individual, esses profissionais podem contribuir para identificar fatores associados ao adoecimento, apoiar estratégias de prevenção e capacitar lideranças para a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis.
Neste contexto, a Vittude, referência no desenvolvimento e gestão estratégica de programas de saúde mental para empresas, chama atenção para essa atuação cada vez mais estratégica. O debate ganha ainda mais relevância diante da nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a contemplar expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
Para Tatiana Pimenta, CEO da Vittude, a mudança representa também uma oportunidade para as empresas ampliarem a forma como enxergam a saúde mental no trabalho. “Durante muito tempo, o mercado corporativo associou o psicólogo principalmente ao atendimento de quem já estava em sofrimento. Mas existe um papel fundamental antes que o adoecimento aconteça. Psicólogos podem contribuir para identificar riscos psicossociais, compreender como a organização do trabalho afeta as pessoas e apoiar lideranças na construção de ambientes mais saudáveis. Saúde mental nas empresas não pode começar apenas quando alguém precisa de terapia ou se afasta do trabalho”, afirma.
Dados levantados pela Vittude ajudam a dimensionar o desafio. O Censo de Saúde Mental da empresa aponta que 37,8% da força de trabalho apresenta sintomas de sofrimento psíquico relevante, sendo 15% em nível clínico severo. O impacto também chega aos resultados das organizações: segundo os dados, o presenteísmo — situação em que a pessoa permanece trabalhando, mas sem plena capacidade mental e produtiva — pode representar um desperdício médio equivalente a 32% da folha de pagamento.
Outro levantamento da Vittude, realizado em parceria com a Opinion Box, mostrou que 66,1% dos brasileiros já tiveram a saúde mental afetada pelo estresse no trabalho. O mesmo estudo identificou que 45% das pessoas trabalham em ambientes com baixa segurança psicológica e que a percepção sobre as iniciativas oferecidas pelas empresas permanece negativa, com NPS de -19.
Os números reforçam uma mudança importante de perspectiva: cuidar da saúde mental dos trabalhadores não significa apenas oferecer assistência depois que o sofrimento já está instalado. A prevenção exige olhar também para as condições e para a organização do trabalho.
Sobrecarga, assédio, falta de autonomia e desequilíbrio entre esforço e recompensa estão entre os fatores organizacionais que podem contribuir para o adoecimento e que precisam ser identificados e gerenciados pelas empresas.
Nesse contexto, o psicólogo pode atuar de forma integrada às áreas de saúde e segurança do trabalho, contribuindo para transformar dados e diagnósticos em ações concretas de prevenção.
A psicoterapia continua sendo uma ferramenta fundamental de cuidado e tratamento em saúde mental. O desafio, segundo a Vittude, é evitar que ela seja tratada pelas organizações como uma solução isolada para problemas que também podem ter origem na própria dinâmica do trabalho.
“Oferecer acesso à psicoterapia é importante, mas não podemos colocar exclusivamente sobre o indivíduo a responsabilidade de lidar com ambientes e formas de organização do trabalho que podem contribuir para o adoecimento. Uma estratégia consistente de saúde mental precisa combinar cuidado clínico com prevenção, diagnóstico dos riscos e transformação dos fatores organizacionais”, explica Tatiana.
Essa abordagem também amplia as possibilidades de atuação da psicologia dentro das empresas. Além do cuidado individual, o conhecimento técnico da profissão pode contribuir para avaliações de riscos psicossociais, estudos sobre segurança psicológica, desenho de intervenções preventivas e capacitação de gestores para lidar de maneira mais adequada com questões relacionadas à saúde mental de suas equipes.
Para Rogério Azevedo, diretor médico e de consultoria da Vittude, a agenda de riscos psicossociais exige que as organizações avancem de ações pontuais para processos estruturados e tecnicamente fundamentados.
“Gerenciar riscos psicossociais significa compreender quais características da organização e das condições de trabalho podem representar risco para a saúde das pessoas. Esse trabalho exige metodologia, evidências e integração entre diferentes áreas. O psicólogo tem uma contribuição importante nesse processo, ao lado dos profissionais de medicina e segurança do trabalho, ajudando a transformar o diagnóstico em medidas efetivas de prevenção”, afirma.
Para a Vittude, a mudança de perspectiva é essencial para que a saúde mental deixe de ser tratada apenas como uma agenda de benefícios e passe a integrar efetivamente a gestão do trabalho. “Não se trata de substituir o cuidado clínico, mas de agir também antes dele. A melhor estratégia de saúde mental é aquela capaz de cuidar de quem precisa de tratamento e, ao mesmo tempo, identificar e reduzir os fatores do trabalho que podem contribuir para que outras pessoas adoeçam”, conclui Tatiana.








