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O design brasileiro como posicionamento: o que a ABIMAD revela sobre o novo mercado premium

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Por Evilyn Ribeiro

A ABIMAD sempre foi um termômetro importante para entender os rumos do design e da alta decoração no Brasil. Mas, ao percorrer a 41ª edição da feira, o que mais me chamou atenção não foram apenas as formas, os acabamentos ou as paletas de cores. O que vi foi um setor mais consciente de si, mais seguro da própria identidade e disposto a usar o design como posicionamento estratégico, não apenas como estética.

O design brasileiro apareceu de maneira muito clara, especialmente na valorização de materiais naturais, como a madeira nacional, fibras, pedras e elementos que carregam textura, origem e história. Não se trata de uma tendência passageira, mas de uma linguagem que vem sendo consolidada por marcas que entenderam que o luxo contemporâneo não está no excesso, e sim na intenção.

Outro ponto que considero fundamental é a valorização da indústria nacional. Diferente de outros momentos do mercado, percebi uma militância silenciosa, e necessária, em torno do “feito no Brasil”. Marcas que não apenas produzem aqui, mas que comunicam seus processos, seus fornecedores e o cuidado envolvido em cada etapa. Isso agrega valor real ao produto e cria uma conexão mais profunda com arquitetos, especificadores e consumidores finais.

A presença forte de técnicas artesanais, do feito à mão e da ancestralidade também foi marcante. Vi rendas transformadas em obras de arte, cadeiras revestidas com fibras naturais retiradas de forma consciente, peças que carregam narrativas de origem e pertencimento. Quando o design conta uma história, ele deixa de ser apenas funcional e passa a ser emocional, e isso muda completamente a relação com o produto.

Outro aspecto importante foi o perfil do público. A ABIMAD recebeu um número expressivo de arquitetos e especificadores de alto padrão, o que reforça uma mudança no próprio mercado: menos volume, mais curadoria; menos generalismo, mais nicho. O alto luxo está cada vez mais interessado em peças que tenham conceito, identidade e coerência estética.

Apesar dos desafios que todo setor enfrenta em ciclos econômicos mais complexos, o clima que percebi foi de otimismo responsável. Um mercado atento, seletivo e disposto a evoluir. As marcas estão mais preparadas para dialogar diretamente com quem especifica, constrói e pensa os espaços, deixando a loja como um segundo momento da experiência, e não mais como o ponto inicial da relação.

Para mim, acompanhar feiras como a ABIMAD é essencial. Elas não servem apenas para lançar produtos, mas para entender movimentos, ajustar estratégias e reafirmar valores. Na Evy Lyne Premium, acreditamos que o design precisa unir estética, funcionalidade e propósito. E a feira mostrou que o mercado premium brasileiro está, finalmente, caminhando nessa direção.

O design brasileiro está mais maduro, mais autoral e mais consciente do seu papel. E isso, sem dúvida, é um sinal positivo para todos que atuam – e acreditam – nesse segmento.

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