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Pesquisa revela motivações, limites emocionais e formas de inovação entre empreendedores sociais

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Estudo feito pelo Instituto Legado investiga as dimensões internas de lideranças — ética, consciência, psicologia e tecnologia — e aponta que 78% dos respondentes não têm apoio psicológico, mesmo relatando que o trabalho gera sobrecarga, ansiedade e solidão

Milhares de pessoas empreendem para fortalecer comunidades e resolver problemas socioambientais. São lideranças à frente de negócios sociais, organizações da sociedade civil e coletivos que atuam nas frentes mais sensíveis da sociedade. Mas o que sustenta essas pessoas por dentro? Foi para responder a essa pergunta que o Instituto Legado realizou a pesquisa inédita DNA do Empreendedorismo Social, que propõe um olhar detalhado para dimensões menos visíveis, mas altamente determinantes: a motivação ética (propósito), os níveis de consciência, o psicológico (bem-estar e emoções) e a forma como a inovação é incorporada no cotidiano.

A pesquisa ouviu 67 participantes de todas as regiões do Brasil e também do exterior com escuta qualificada. Ao longo de quatro meses, foram conduzidos formulários on-line, entrevistas individuais, grupos focais e atividades em uma sala de aula virtual. A ideia foi transformar a participação na pesquisa em uma experiência de reflexão pessoal, e não apenas de resposta a perguntas.

Um dos principais achados da pesquisa está na origem do propósito. Para a maioria das pessoas ouvidas, o que impulsiona a ação empreendedora não é uma meta externa, mas uma transformação interna. Cerca de 70% das lideranças disseram que o propósito nasce de uma ampliação da consciência sobre o mundo, enquanto 28,8% foram motivadas por vivências de dor pessoal e 25,8% por sentimentos de solidariedade.

Os relatos revelam que a consciência do impacto das desigualdades, das violências e da exclusão social se converte em ação transformadora. Em muitos casos, após um momento de ruptura na trajetória profissional ou pessoal. “Eu trabalhava no varejo e percebi que aquilo não correspondia com o que eu acreditava. Comecei a estudar impacto socioambiental e entendi que era possível alinhar propósito e profissão”, disse uma das participantes.

“A base desta pesquisa está diretamente conectada ao que desenvolvi em A Era do Impacto, onde defendo que o verdadeiro movimento transformador, o que chamo de Movimento Transformador Massivo, nasce da consciência individual e coletiva. É isso que o DNA do Empreendedorismo Social aprofunda: a dimensão ética como propósito, a inovação como forma de agir e a atitude psicológica como combustível. Ao mapear essas três dimensões em lideranças reais, conseguimos traduzir teoria em evidência concreta para impulsionar o ecossistema de impacto”, afirma James Marins, presidente do Instituto Legado e autor do livro que inspira a metodologia da pesquisa.

O custo emocional do impacto

Outro dado que chama atenção é a diferença entre o bem-estar pessoal e o organizacional. Quando perguntadas sobre como se sentem no dia a dia, as lideranças deram, em média, nota 7,2 para o próprio bem-estar. Mas quando a pergunta foi sobre o ambiente de trabalho, a média caiu para 6,4. Os motivos mais citados foram sobrecarga, escassez de equipe, dificuldade de equilibrar vida pessoal e profissional e sensação de solidão na liderança.

As emoções relatadas pelas lideranças entrevistadas revelam uma realidade marcada por contrastes. De um lado, aparecem sentimentos como esperança (57%), motivação (52%), gratidão (48%) e amor (46%), que indicam conexão com o propósito e senso de realização. De outro, surgem cansaço (55%), ansiedade (51%), angústia (43%), solidão (37%) e insegurança (33%), sinalizando as pressões emocionais e as dificuldades enfrentadas no dia a dia.

Apesar desse retrato emocional denso, apenas 22% das pessoas afirmaram ter acompanhamento psicológico regular. A maioria depende de práticas individuais, como meditação, leitura, espiritualidade e contato com a natureza, e relata a ausência de espaços institucionais estruturados para escuta, apoio emocional ou autocuidado coletivo.

A pesquisa também mostrou que há uma demanda clara por apoio: os participantes expressaram o desejo de ter mais recursos para cuidar da saúde mental e emocional, tanto pessoal quanto das equipes, incluindo terapias, mentorias, grupos de escuta, reorganização das rotinas de trabalho e acesso a formações voltadas ao desenvolvimento humano. “Esses dados deveriam estar no radar de todo o ecossistema. O impacto não é sustentável se as pessoas que o promovem estão adoecendo ou se sentindo sozinhas”, esclarece James.

Lideranças com visão sistêmica

Na dimensão consciencial, a pesquisa buscou entender como as lideranças do campo de impacto enxergam o mundo e tomam decisões. Um dos destaques do estudo é a forma como as lideranças sociais enxergam o mundo e tomam decisões. A maior parte dos participantes revelou atuar com uma visão voltada ao bem coletivo: 66% expressam uma visão holocêntrica, ou seja, estão atentos ao impacto sobre todas as formas de vida, e 24% adotam uma visão globocêntrica, voltada ao bem-estar da humanidade como um todo.

Essas lideranças não agem apenas por instinto ou interesse pessoal. A maioria toma decisões com base em valores e reflexões profundas, guiadas por uma ética voltada à transformação social. Além disso, mais de 60% avaliam que suas organizações funcionam com um propósito próprio, indo além da missão institucional. São equipes que buscam coerência entre discurso e prática, cultivam valores como empatia, tolerância e propósito comum.

Inovação com propósito

De acordo com a pesquisa, a inovação no campo do empreendedorismo social vai muito além de ferramentas tecnológicas. Para 62,7% das lideranças, a principal fonte de inovação está na mudança de percepção, ou seja, em uma nova forma de enxergar os problemas sociais e não necessariamente em soluções digitais.

Os tipos de impacto também foram analisados. 42% dos projetos atuam com serviço direto, atendendo necessidades básicas de populações vulneráveis, como alimentação e educação. Mas já há um número significativo de iniciativas que buscam ir além: 33% atuam por mudança sistêmica e 36% promovem transformações culturais, trabalhando para modificar comportamentos, crenças e estruturas sociais.

Essa inovação nasce da escuta, da vivência no território, da conexão com pessoas reais. A maioria das soluções mencionadas é baseada em metodologias próprias, experiências afetivas ou vivências que desafiaram paradigmas, como ações voltadas a fortalecer a autoestima de meninas, integrar pessoas com deficiência ou redesenhar a identidade de organizações.

Pesquisa dá origem a programa focado no cuidado com lideranças

A escuta realizada pela pesquisa apontou que muitos dos desafios enfrentados pelas lideranças de impacto não são apenas técnicos ou financeiros, mas emocionais e estruturais: sobrecarga, solidão, escassez de recursos, dificuldade em equilibrar vida e trabalho, e a sensação de estar sempre à beira do esgotamento.

Diante disso, o Instituto Legado decidiu transformar os dados em ação. Com base nas quatro dimensões analisadas — ética, consciência, psicologia e inovação — foi criado o Programa Legado Interior, uma iniciativa voltada ao fortalecimento das lideranças a partir do desenvolvimento humano e do bem-estar organizacional.

“Ao longo da pesquisa, ouvimos lideranças que estão transformando o mundo por fora, mas muitas vezes se sentem fragilizadas por dentro. O Programa Legado Interior nasce como resposta a essa escuta. Não como um bônus, mas como parte essencial da estratégia de impacto. Porque não basta gerar mudança, é preciso sustentar essa mudança com saúde, coerência e humanidade”, afirma Diego Baptista, coordenador da pesquisa e do Programa Legado Interior.

O programa combina encontros on-line, imersão presencial, mentorias e apoio psicoterapêutico, com temas como segurança emocional, culturas regenerativas, escuta ativa e integração entre saúde mental e impacto social. A proposta é que os participantes desenvolvam planos práticos de cuidado individual e coletivo, integrando esses aprendizados às rotinas das organizações.

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