Finanças

Quando esperar custa mais caro que os juros

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Por Adolfo Sortica, CEO da Finza

Durante décadas, a relação entre pequenas empresas e bancos seguiu um roteiro conhecido. O empreendedor identifica uma oportunidade, procura crédito para investir e, semanas depois, recebe uma resposta que, muitas vezes, chega tarde demais, quando o negócio já perdeu o momento ou simplesmente deixa de acontecer.

A pergunta que precisamos fazer é: o problema está na empresa ou no sistema bancário tradicional e seu modelo de concessão de crédito?

O pequeno empresário brasileiro vive em um ambiente onde as oportunidades surgem rapidamente. Exemplos não faltam, como um restaurante que precisa substituir um equipamento que parou de funcionar. Ou uma indústria que recebe um pedido acima da capacidade atual e precisa ampliar a produção. Até mesmo um comércio pode encontrar uma condição vantajosa para comprar estoque. Em todos esses casos, tempo não é apenas dinheiro. Tempo é competitividade.

Enquanto isso, boa parte das instituições financeiras ainda opera com processos desenhados para uma realidade diferente, baseados em longas análises, excesso de documentação e critérios que nem sempre refletem a capacidade real de geração de receita daquele negócio.

O resultado é conhecido: empresas economicamente saudáveis deixam de investir, atrasam sua expansão ou recorrem a alternativas mais caras simplesmente porque o crédito tradicional não acompanha a velocidade exigida pelo mercado.

Nos últimos anos, as fintechs começaram a desafiar esse modelo. Não porque assumem mais risco, mas porque passaram a utilizar tecnologia para analisar risco de forma mais inteligente e, principalmente, mais rápida.

Hoje, inteligência artificial, integração de dados e automação permitem avaliar em pouco tempo informações que antes levariam dias para serem processadas. Essa mudança parece apenas tecnológica, mas seu impacto é econômico. Quando um empresário consegue uma resposta quase imediata, ele compra equipamentos no momento certo, aproveita negociações melhores com fornecedores, amplia sua operação e responde mais rapidamente às demandas do mercado.

Velocidade, nesse contexto, não representa apenas conveniência. Ela se tornou uma vantagem competitiva.

É claro que rapidez não pode significar irresponsabilidade. Conceder crédito exige critérios sólidos, análise de risco e sustentabilidade financeira. A diferença é que a tecnologia permite realizar esse trabalho com muito mais eficiência do que os modelos tradicionais, sem abrir mão da segurança.

Também é importante reconhecer que nem toda negativa de crédito é injustificada. Existem empresas que realmente apresentam riscos elevados. O ponto é outro: milhares de pequenos negócios financeiramente viáveis continuam sendo avaliados por processos que olham excessivamente para o passado, quando deveriam considerar seu potencial de crescimento e sua capacidade futura de gerar receita.

O empreendedor brasileiro já se transformou. Tornou-se mais digital, mais ágil e mais orientado por dados. O mercado também mudou. Os consumidores mudaram. Falta que parte do sistema financeiro evolua na mesma velocidade.

Quando um banco leva semanas para responder, muitas vezes ele não está apenas negando um empréstimo. Está negando uma oportunidade de crescimento, geração de empregos e desenvolvimento econômico.

O futuro do crédito será definido menos pelo tamanho das instituições e mais pela capacidade de entender que, para quem empreende, esperar também tem um custo. E, em muitos casos, esse custo é alto demais para que um pequeno negócio consiga suportar.

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