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R$ 361,8 bilhões: mercado de FIDCs bate recorde antes das eleições

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R$ 184,7 bilhões em captação e avanço dos fundos estruturados colocam crédito, garantias e governança no centro das decisões antes das eleições

O mercado brasileiro de fundos chega ao 2º semestre de 2026 com mais recursos em circulação, mas também com investidores mais criteriosos na escolha de onde assumir risco. A indústria registrou captação líquida de R$ 184,7 bilhões entre janeiro e junho, mais que o dobro dos R$ 84 bilhões observados no mesmo período de 2025. A renda fixa concentrou R$ 108,4 bilhões das entradas, enquanto FIDCs e FIPs captaram R$ 30,6 bilhões e R$ 32,1 bilhões, respectivamente, mostrando que a procura por estruturas ligadas a crédito e ativos privados também ganhou espaço. No mercado de capitais, o movimento foi ainda mais amplo: as ofertas chegaram a R$ 361,8 bilhões no 1º semestre, maior volume para o período desde o início da série histórica, em 2012, com 1.513 operações realizadas. O crescimento acontece, porém, em um ambiente que combina juros ainda elevados, maior atenção à trajetória fiscal brasileira e instabilidade internacional, fatores que podem alterar rapidamente as expectativas de inflação, câmbio e juros. A proximidade das eleições gerais de 4 de outubro acrescenta outra variável a essa equação, uma vez que propostas econômicas, sinalizações fiscais e mudanças nas pesquisas tendem a influenciar a precificação dos ativos. Com isso, o debate deixa de estar concentrado apenas em quanto um investimento pode render e passa a incluir com mais força a qualidade do crédito, a liquidez, as garantias existentes e a governança por trás de cada estrutura.

       A preferência por estruturas capazes de organizar melhor o risco também aparece na composição de carteiras administradas no mercado. Na Azumi Investimentos, por exemplo, os FIDCs já representavam 53,82% do patrimônio administrado em maio, com R$ 1,656 bilhão distribuído em 71 fundos. Quando considerados também os FIC FIDCs, o volume alcançava R$ 2,044 bilhões, equivalente a 66,42% de uma base patrimonial superior a R$ 3 bilhões. O dado ganha relevância porque mostra uma concentração crescente em instrumentos nos quais a análise não depende apenas da expectativa de juros ou do comportamento dos ativos em bolsa, mas também da qualidade dos recebíveis, das garantias e dos mecanismos definidos para absorver eventuais perdas. Entre janeiro e maio, a quantidade total de fundos da instituição passou de 126 para 133, enquanto o patrimônio permaneceu em mais de R$ 3 bilhões, sinalizando uma ampliação do número de estruturas sem uma expansão proporcional dos recursos administrados. Para Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, esse movimento exige uma avaliação cada vez mais individualizada. “Em períodos de maior incerteza, a decisão de investimento tende a ficar mais criteriosa. Não basta observar a taxa oferecida por um fundo. É necessário entender a origem dos recebíveis, quem são os devedores, quais garantias sustentam a operação, como a carteira está distribuída e quais mecanismos existem para acompanhar o crédito ao longo do tempo. Quanto mais complexo fica o cenário econômico, maior é a importância de uma estrutura que permita identificar e administrar o risco com clareza”, afirma Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

       Essa busca por estruturas específicas também alcança segmentos ligados à economia real. Entre janeiro e maio, o número de FIAGROs administrados pela Azumi Investimentos passou de 5 para 7, enquanto o patrimônio da classe avançou 41,77%, de R$ 119,3 milhões para R$ 169,1 milhões. Nos FIPs, mesmo sem aumento na quantidade de fundos, o patrimônio cresceu 24,02%, de R$ 130,8 milhões para R$ 162,2 milhões. O movimento acompanha uma expansão mais ampla dessas classes no mercado e reforça uma mudança na forma como investidores avaliam alternativas fora dos produtos tradicionais de renda fixa. Em um 2º semestre marcado por eleições no Brasil, dúvidas sobre a trajetória fiscal e monetária e tensões internacionais que seguem afetando commodities, inflação e juros, a análise tende a se concentrar menos na classe do ativo isoladamente e mais na construção de cada operação. “Volatilidade não significa necessariamente ausência de oportunidades, mas exige uma leitura mais profunda de como cada estrutura foi construída. Em fundos estruturados, governança, diversificação, qualidade dos ativos, mecanismos de proteção e acompanhamento permanente podem fazer diferença ao longo de um ciclo mais instável. O investidor precisa saber onde está o risco e se a remuneração é compatível com ele, especialmente quando fatores políticos e externos passam a interferir com maior intensidade nas expectativas do mercado”, afirma Edgar.

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