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Recorde de testamentos no Brasil expõe desafio além da herança

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Com o aumento de testamentos no país, especialista alerta que documentos jurídicos não resolvem conflitos emocionais entre herdeiros

O Brasil registrou em 2025 o maior número de testamentos da série histórica e pode aumentar. Segundo levantamento do Colégio Notarial do Brasil (CNB/CF), foram formalizados 38.740 documentos no período. O crescimento reflete uma preocupação cada vez maior das famílias com o planejamento sucessório e a organização do patrimônio. No entanto, especialistas alertam que um testamento, embora importante, nem sempre é suficiente para evitar conflitos entre herdeiros.

Essa é uma das reflexões apresentadas no livro Nunca é só por dinheiro – Um guia sobre luto, herança, traumas e as conversas que podem salvar uma família, da especialista em saúde mental, comportamento humano e desenvolvimento de lideranças Flávia Lippi, publicado pela Matrix Editora. A obra amplia o debate sobre sucessão patrimonial ao mostrar que disputas familiares costumam ter origem em questões emocionais construídas ao longo da vida.

Planejamento sucessório

Para a autora, a herança frequentemente funciona como um símbolo de vínculos afetivos, reconhecimento e pertencimento. “O aumento dos testamentos mostra que mais pessoas estão pensando na organização do patrimônio. Isso é positivo. Mas o planejamento sucessório também precisa incluir conversas sobre expectativas, sentimentos e relações familiares. Quando esses temas são ignorados, o documento jurídico sozinho dificilmente impedirá conflitos”, afirma Flávia Lippi.

A publicação parte da experiência pessoal da autora com o luto e reúne pesquisas realizadas com famílias e especialistas de diferentes áreas. O livro mostra como a morte costuma revelar tensões que permaneciam ocultas e transformar a divisão dos bens em uma manifestação de conflitos antigos.

Flávia destaca que muitas disputas surgem por objetos sem valor financeiro expressivo. Fotografias, cartas, utensílios domésticos ou lembranças de família podem representar memórias e afetos que ultrapassam qualquer avaliação patrimonial.

Conflitos familiares

“A maioria das disputas por herança nunca foi apenas sobre dinheiro. Os bens acabam representando histórias, feridas, reconhecimento e até o desejo de ocupar um lugar dentro da família. Compreender isso é essencial para reduzir conflitos e preservar os vínculos entre as pessoas”, explica.

Além de discutir luto, herança e planejamento sucessório, Nunca é só por dinheiro apresenta ferramentas inspiradas na Comunicação Não Violenta e no método VIGÍLIA, desenvolvido pela autora, para ajudar famílias a enfrentar conversas difíceis antes que elas se transformem em disputas judiciais.

O tema tende a ganhar ainda mais relevância para os próximos anos. Dados da PNAD Contínua, do IBGE, mostram que a população com 60 anos ou mais passou de 11,3% para 16,6% entre 2012 e 2025. No mesmo período, a participação dos brasileiros com menos de 30 anos caiu de 49,9% para 41,4%, refletindo o avanço do envelhecimento da população e a importância crescente do planejamento sucessório.

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