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Reforma tributária e os dentistas

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Mudanças previstas para 2026 exigem planejamento imediato, mas alíquota diferenciada pode reduzir impacto para quem se antecipar

A reforma tributária que começa a ser implementada em 2026 deve alterar de forma significativa a rotina financeira de profissionais liberais da saúde, especialmente dentistas que atuam como pessoa jurídica. A avaliação é do consultor em BPO contábil e gestão de clínicas odontológicas Danilo Fermino, da Flow Contabilidade, que alerta para riscos, mas também para oportunidades estratégicas dentro do novo modelo.

Com a substituição de tributos como PIS, Cofins, ISS e ICMS pela CBS e pelo IBS, a carga padrão estimada pode chegar a cerca de 28% sobre o consumo. No entanto, profissionais da área da saúde, incluindo dentistas, poderão contar com alíquota reduzida, que pode ficar na faixa de 12%, desde que estejam enquadrados corretamente e adotem a estratégia tributária adequada.

“O grande problema é que muitos dentistas acreditam que nada muda para quem está no Simples Nacional, mas isso não é totalmente verdade. A reforma muda a lógica da tributação do consumo. Sem planejamento, o serviço pode ficar mais caro. Com estratégia, é possível aproveitar a alíquota diferenciada e manter competitividade”, afirma Fermino.

O Brasil possui mais de 400 mil dentistas em atividade e o Paraná está entre os estados com maior concentração de clínicas odontológicas do país. Para o consultor, o impacto pode ser relevante em um setor já altamente competitivo. “Estamos falando de um mercado onde qualquer variação de imposto impacta preço final, margem e fluxo de caixa. Quem não souber fazer conta vai sentir no bolso”, destaca.

Segundo Fermino, clínicas que hoje aparentam ser lucrativas podem descobrir, com a nova sistemática, que operam com margens mais apertadas do que imaginavam. “Muitos profissionais confundem faturamento com lucro. Se a alíquota cheia de 28% atingir a operação por falta de estratégia, o dentista pode passar a trabalhar mais para ganhar menos. A diferença entre pagar 28% ou cerca de 12% pode definir a saúde financeira da clínica”, explica.

Outro ponto central é a revisão do regime tributário e da estrutura societária. “O que funciona hoje pode não funcionar a partir de 2026. É preciso reavaliar enquadramento, precificação, pró-labore e distribuição de lucros com base em simulações reais. A alíquota reduzida não é automática, ela depende de organização e planejamento”, pontua.

Para o especialista, o momento de agir é agora. “Quem deixar para entender a reforma tributária em 2026 vai correr atrás do prejuízo. Quem começa antes consegue simular cenários, ajustar contratos, rever custos e proteger a rentabilidade da clínica”, orienta.

Danilo Fermino reforça que a reforma não deve ser tratada apenas como mudança fiscal, mas como decisão estratégica de gestão. “A clínica que usa a contabilidade apenas para cumprir obrigação pode ser engolida pelo novo sistema. Já quem usa a contabilidade como ferramenta de decisão transforma a reforma em vantagem competitiva”, conclui.

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