Pesquisa brasileira aponta diferenças nos alimentos disponíveis em casas com crianças; nutricionista explica como conciliar as preferências dos pequenos com escolhas mais saudáveis
Quem nunca entrou no supermercado com uma lista de compras e saiu com produtos que não estavam nos planos porque uma criança pediu? Embalagens coloridas, personagens conhecidos e alimentos que os colegas levam para a escola estão entre os estímulos que despertam o interesse dos pequenos. Conforme crescem, eles começam a demonstrar preferências e querem participar cada vez mais das decisões da família, inclusive sobre o que vai para o carrinho.
Uma pesquisa brasileira publicada este ano na revista científica Nutrition, com base em dados do IBGE, identificou maior disponibilidade de produtos como biscoitos, salgadinhos e bebidas açucaradas em domicílios com crianças e adolescentes. Embora não indique quem decide as compras, o estudo chama a atenção para a relação entre a composição familiar e os alimentos disponíveis em casa.
“É natural que a criança queira participar das escolhas, principalmente quando começa a reconhecer os alimentos de que gosta. O desafio dos pais não é impedir essa participação, mas ensinar que uma boa escolha vai além da embalagem bonita ou da vontade do momento”, explica a nutricionista e gerente de Comunicação Científica da Papapá, Ana Carolina Donan.
Veja cinco dicas da nutricionista para tornar as compras mais tranquilas e educativas.
- Combine as compras antes de sair de casa
Antes de ir ao supermercado, converse com a criança sobre o que precisa ser comprado. Dependendo da idade, ela pode ajudar a montar a lista e identificar os alimentos que estão faltando. Estabelecer esses combinados antecipadamente pode ajudar a reduzir conflitos diante das prateleiras.
- Deixe a criança escolher alguns alimentos
Dar autonomia não significa permitir que a criança decida tudo. Uma alternativa é oferecer opções previamente selecionadas pelos responsáveis, como escolher entre duas frutas ou definir quais vegetais farão parte das refeições da semana. Além de estimular a participação, a prática pode despertar o interesse por alimentos que antes eram pouco consumidos.
- Ensine a olhar além da embalagem
Personagens, cores e desenhos costumam despertar o interesse das crianças e incentivar a experimentação de novos alimentos. O cuidado está em não deixar que a aparência seja o único critério de escolha. Conforme a idade, os responsáveis podem ensinar os pequenos a observar a lista de ingredientes e as informações nutricionais, lembrando que nem todo produto apresentado como infantil é necessariamente adequado para o consumo frequente.
“Outro truque é explicar a função daquela lupa nas embalagens, que indicam alto teor de nutrientes críticos. Isso ajuda a criança a diferenciar o que é saudável do que não é”, reforça Carolina.
- Evite fazer compras quando a criança estiver com fome
Ir ao supermercado com fome pode tornar os alimentos mais tentadores e dificultar as escolhas. Por isso, sempre que possível, vale organizar as compras para um momento em que a criança já tenha se alimentado. Também é importante respeitar os horários de sono e descanso, especialmente entre os menores.
- Não transforme alimentos em recompensa
Prometer doces ou outros produtos em troca de bom comportamento pode fazer com que determinados alimentos ganhem um significado de prêmio. Em vez disso, o ideal é estabelecer limites com tranquilidade, sem classificar alimentos como proibidos ou usar a comida como instrumento de negociação.
Para a nutricionista, o objetivo não é eliminar os pedidos das crianças, mas aproveitar essas situações para construir uma relação mais equilibrada com a alimentação.
“Uma embalagem divertida não significa necessariamente que o alimento tenha uma composição ruim, assim como uma embalagem com aparência saudável não garante que o produto seja nutricionalmente adequado. O importante é ensinar a criança a fazer escolhas que considerem tanto o sabor quanto a qualidade dos ingredientes”, conclui.








