Negócios

Startups crescem sem regras e elevam risco societário

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Especialista aponta que a falta de definições claras entre fundadores tem antecipado conflitos e exigido maior organização jurídica desde os estágios iniciais dos negócios.

O crescimento acelerado de startups no Brasil tem exposto uma fragilidade recorrente: a ausência de acordos básicos entre fundadores. Questões que antes surgiam apenas em fases mais maduras, como divisão de participação, papéis na gestão e critérios de tomada de decisão, agora aparecem de forma antecipada, muitas vezes em meio à expansão do negócio.

“É comum vermos startups ganhando tração sem que os fundadores tenham definido, de forma estruturada, regras essenciais da sociedade. Quando surgem divergências, o negócio já está exposto, o que aumenta significativamente o risco de conflito e de impacto na operação”, afirma o advogado Sandro Wainstein, especialista em advocacia empresarial.

Na prática, a falta de alinhamento inicial tende a gerar impasses sobre poder de decisão, distribuição de resultados e até mesmo permanência de sócios no projeto. Sem instrumentos jurídicos bem definidos, como acordo de sócios e regras de governança, essas divergências podem evoluir rapidamente para disputas mais complexas, com reflexos diretos na continuidade da empresa.

O cenário também é impulsionado pelo ambiente de inovação, que valoriza agilidade e crescimento rápido. Nesse contexto, discussões estruturais acabam sendo postergadas em nome da execução, o que pode comprometer a sustentabilidade do negócio no médio e longo prazo.

Outro ponto de atenção está na entrada de investidores. A ausência de organização societária tende a dificultar negociações, reduzir a atratividade da startup e aumentar o nível de exigência em processos de due diligence. Além disso, a falta de estrutura jurídica pode impactar diretamente a percepção de valor do negócio, reduzindo seu valuation e afetando financeiramente os próprios fundadores. “Investidores buscam previsibilidade. Quando não há clareza sobre regras internas, o risco percebido aumenta e pode travar negociações, desvalorizar a operação e, no fim, tocar diretamente no retorno dos sócios”, destaca Wainstein.

Para o especialista, o movimento exige uma mudança de postura por parte dos empreendedores. Mais do que crescer, é necessário estruturar. “Definir regras desde o início não engessa o negócio. Pelo contrário, cria segurança para que ele cresça de forma sustentável e com menor exposição a conflitos”, afirma.

A tendência indica que a maturidade jurídica deixará de ser um diferencial para se tornar uma condição básica no ecossistema de startups, especialmente em um ambiente cada vez mais competitivo e exigente.

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