Tecnologia

92% das empresas planejam investir em IA, porém metade falha em análise de informação, revela estudo da Live University 

3 Mins read

Primeiro benchmark nacional sobre maturidade tecnológica anunciado no Fórum B2B da Live University | Ibramerc mostra que corrida pela IA avança mais rápido que a evolução da infraestrutura de dados, dificultando geração de resultados

As empresas brasileiras aceleraram os investimentos em Inteligência Artificial, mas ainda negligenciam um dos principais fatores para o sucesso dessas iniciativas: a qualidade dos dados. É o que mostram os primeiros benchmarks Nacional de Maturidade Tecnológica em Marketing B2B (IMTM) e Vendas B2B (IMTV) da Live University | Ibramerc (Instituto Brasileiro de Inteligência de Mercado). Enquanto 92% das empresas pretendem investir em IA para marketing e 81% em IA para vendas em 2026, 40% afirma que não destinará recursos a saneamento de dados na área de vendas; já em marketing, o percentual chega a 50%. 

Entre os destaques do levantamento, também está a falta de integração entre sistemas internos e externos, como ERP (Enterprise Resource Planning), usado para gerir operação, finanças, estoque e contabilidade, e CRM (Customer Relationship Management), responsável por administrar de vendas, marketing e relacionamento com o cliente. Em marketing, 39% dos respondentes faltam nessa integração. Em vendas, são 50%. 

Os dados também revelam que a dificuldade não está apenas na tecnologia, mas na forma como ela é implementada dentro das empresas. Segundo o benchmark, os principais fatores para o sucesso da transformação tecnológica são o alinhamento entre marketing e vendas, o engajamento da liderança e uma metodologia estruturada de implantação. Na prática, porém, as próprias áreas reconhecem que o desalinhamento interno é um dos maiores entraves para que novos sistemas gerem resultados.

Outro desafio apontado pelo estudo é a preparação das equipes. A capacitação apareceu entre as principais barreiras para a adoção de novas tecnologias, refletindo a dificuldade das empresas em conciliar treinamento com a pressão por metas comerciais. Para Alex Leite, diretor da Live University | Ibramerc, sem um processo contínuo de desenvolvimento das equipes, plataformas de IA, CRM e automação tendem a ser subutilizadas, reduzindo o retorno sobre os investimentos realizados.

Os índices de maturidade tecnológica também evidenciam diferenças entre as áreas. Enquanto o Índice de Maturidade Tecnológica em Vendas B2B (IMTV) entrou no patamar classificado como “em desenvolvimento”, o Índice de Maturidade Tecnológica em Marketing B2B (IMTM), considerado um nível “estruturado”. O resultado indica que o marketing vem avançando mais rapidamente na adoção de ferramentas digitais, enquanto as operações comerciais ainda enfrentam desafios relacionados à integração de dados, padronização de processos e uso estratégico da informação. “O mercado tem adquirido cada vez mais plataformas, mas sem uma arquitetura tecnológica definida elas acabam funcionando de forma isolada. O resultado é uma multiplicação de ferramentas que não conversam entre si e dificultam a geração de inteligência para o negócio”, afirma Alex. Segundo o executivo, antes de incorporar novas soluções baseadas em IA, as empresas precisam garantir integração entre sistemas, qualidade dos dados e governança sobre as informações para que a tecnologia efetivamente impulsione o crescimento.

Inédito no país, o estudo foi criado para revelar como as empresas brasileiras utilizam dados, automação, inteligência artificial e integração entre marketing e vendas, além de operações para impulsionar crescimento mais previsível e eficiente. Divulgado pelo Ibramerc, o benchmark busca consolidar indicadores, tendências e boas práticas para servir de referência a líderes e marcas em busca de transformação digital. O principal fator apontado pelos resultados é o descompasso entre o entusiasmo de aderir a novas tecnologias e a preparação para aproveitá-las. No IMTM, por exemplo, a IA generativa já está presente em 58% em níveis mais avançados das empresas, enquanto a IA analítica consta em apenas 20% delas. Já no IMTV, 30% possuem IA generativa em níveis avançados, mas somente 13% contam com análise do material gerado.  

“Estamos na era em que a IA deixou de ser promessa e passou a integrar a estratégia das empresas. Mas ainda existe uma lacuna importante entre investir em tecnologia e ter condições para que ela agregue valor aos processos”, declara o CEO da Live University, Henrique Gasperoni. “Sem governança, a IA tende a ampliar os problemas já existentes, ao invés de melhorar os resultados. O objetivo do estudo é justamente oferecer um diagnóstico do cenário atual para refletirmos sobre onde chegamos e como podemos direcionar os investimentos com mais eficiência”, finaliza. 

Related posts
Tecnologia

Quando a IA falha, documentação pode ser a diferença entre uma empresa preparada e uma exposta

4 Mins read
Especialista em segurança e professor de Harvard defende que governança e documentação sejam incorporadas aos sistemas de IA para reduzir riscos jurídicos,…
SegurançaTecnologia

Brasil está entre os 8 países do mundo com maior conhecimento sobre cibersegurança e privacidade online 

6 Mins read
Pesquisa da NordVPN mostra que brasileiros dominam práticas tradicionais, como criação de senhas fortes, mas ainda encontram dificuldades para identificar deepfakes, golpes…
NegóciosTecnologia

Cinco sinais de que seu fornecedor de serviços de TI já não acompanha o ritmo do negócio

3 Mins read
*Por Omar Tabach Trocar um fornecedor de tecnologia é uma decisão que envolve riscos, custos e impacto direto na operação. Por isso,…