[radio_player id="1"]
Gestão Publica

A nova era do BRICS: gestão internacional e protagonismo dos emergentes

5 Mins read
Créditos da foto: Divulgação
Créditos da foto: Divulgação

Agrupamento reúne 11 países, quase 40% do PIB mundial, 48,5% da população do planeta e é destino de mais de um terço das exportações brasileiras

A entrada da Indonésia no BRICS, oficializada em janeiro de 2025, marca um novo capítulo no agrupamento de países do Sul Global. Agora com 11 membros, o grupo expande sua influência geopolítica e econômica, reunindo economias com dinâmicas diversas, mas comprometidas com a promoção de uma ordem mundial multipolar mais equitativa, justa, democrática e equilibrada.  

Criado como BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o grupo ganhou o “S” com a entrada da África do Sul em 2011. Em 2023, avançou ainda mais ao incorporar Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Com a chegada da Indonésia, consolida-se como uma potência coletiva respondendo por 39% do PIB global (paridade de poder de compra), 48,5% da população mundial e 24% do comércio internacional. 

Em 2025, vários países demonstraram interesse em integrar o BRICS, incluindo a Bolívia, Belarus, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Tailândia, Uganda e Uzbequistão, que foram anunciados como “países parceiros”. Nesse cenário em transformação, os profissionais brasileiros precisam desenvolver habilidades específicas para aproveitar as oportunidades que surgem nesse ambiente dinâmico e complexo. 

Elizabeth Ribeiro Martins, coordenadora do curso de Tecnologia em Gestão Internacional da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), destaca que a atuação no contexto do BRICS exige muito mais do que conhecimento técnico sobre comércio exterior. “Mais do que habilidades técnicas, destaca-se a importância das competências interculturais. Compreender costumes, idiomas, valores sociais, sistemas jurídicos e práticas culturais dos países do BRICS permite uma comunicação global eficaz, facilitando o alinhamento de interesses e a construção de parcerias sólidas em ambientes multilaterais”, explica. 

Competências essenciais para atuar no novo BRICS 

Diante da expansão do agrupamento, algumas competências se tornam fundamentais para os gestores internacionais brasileiros. O domínio de comércio e investimentos é a base, mas deve ser complementado por uma visão aprofundada das dinâmicas regionais. A China, por exemplo, é o maior parceiro comercial do Brasil, mas a relação vai além da exportação de commodities — envolve tecnologia, infraestrutura e até cooperação em inteligência artificial. Já a Indonésia, novo membro, oferece oportunidades no setor de mineração (especialmente níquel, crucial para a indústria de baterias) e no agronegócio sustentável. 

Outra habilidade crítica é a diplomacia econômica. O BRICS não é apenas um fórum de discussão; é um espaço em que se negociam acordos comerciais, parcerias em infraestrutura e até moedas alternativas para reduzir a dependência do dólar.  

“Com o Brasil assumindo em 2025 a liderança do BRICS sob o eixo da cooperação energética e da eficiência sustentável, cresce ainda mais a necessidade de profissionais capacitados a atuar com visão estratégica em projetos internacionais, capazes de aplicar soluções sustentáveis e tecnologias inovadoras em negócios globais”, afirma Elizabeth.  

“Profissionais preparados para este novo cenário serão protagonistas na construção de pontes entre mercados emergentes e na consolidação de uma nova governança internacional mais equilibrada e inclusiva”, complementa a coordenadora.  

Além disso, a capacidade de articular interesses entre países com prioridades distintas — como a Rússia, focada em energia, e a Índia, em tecnologia — será cada vez mais valorizada. A inovação e a adaptação tecnológica também são pilares essenciais. A Indonésia, por exemplo, tem um ecossistema de startups em rápido crescimento, enquanto a China e a Índia lideram em áreas como 5G e biotecnologia. 

Jogo geopolítico 

A presidência brasileira do BRICS em 2025 coloca o país em uma posição estratégica para influenciar a agenda do grupo. Entre as prioridades estão a cooperação em segurança alimentar, energias renováveis e reforma das instituições financeiras globais. “O Brasil pode ser uma ponte entre o Sul Global e as economias desenvolvidas, mas, para isso, precisa de profissionais qualificados que saibam navegar nesse tabuleiro complexo”, avalia Elizabeth. 

A entrada da Indonésia no grupo também abre novas frentes de colaboração, especialmente em tecnologia digital e logística. O país asiático controla rotas marítimas críticas, como o Estreito de Malaca, e tem interesse em parcerias que fortaleçam sua infraestrutura portuária. Empresas brasileiras de logística e agronegócio podem se beneficiar — desde que estejam preparadas para atuar com inteligência cultural e conhecimento técnico. 

Oportunidades para os emergentes 

A expansão do BRICS sinaliza uma mudança irreversível na ordem global, com os países emergentes ganhando cada vez mais espaço. Para o Brasil, isso representa uma oportunidade única de ampliar sua influência e diversificar suas parcerias econômicas. No entanto, aproveitar esse potencial exigirá profissionais com visão estratégica, capacidade de adaptação e domínio das ferramentas da gestão internacional. 

“O BRICS não é apenas um foro de articulação política e diplomática, mas também uma plataforma essencial para a cooperação multilateral, permitindo o diálogo sobre temas centrais da agenda internacional e o fortalecimento de posições comuns que visam democratizar, legitimar e equilibrar a ordem global. Os profissionais que entenderem isso estarão à frente nessa nova era”, conclui Elizabeth. 

O movimento de expansão amplia o alcance territorial do BRICS, que agora cobre cerca de 36% do planeta, com presença em todos os continentes e maior inserção no Oriente Médio e na África. Além disso, o agrupamento detém 72% das reservas mundiais de minerais de terras raras, 43,6% da produção global de petróleo, 36% da produção de gás natural e 78,2% da produção de carvão mineral, de acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA). 

No comércio exterior brasileiro, os efeitos são significativos. Em 2024, o BRICS foi o destino de USD 121 bilhões das exportações brasileiras, o que representa 36% do total, e a origem de USD 88 bilhões das importações, equivalentes a 34% do total importado, segundo dados do ComexVis. A corrente de comércio Brasil–BRICS totalizou USD 210 bilhões, respondendo por 35% do comércio exterior brasileiro. 

Preparação 

O curso de Gestão Internacional da PUCPR foi estruturado para capacitar profissionais a atuarem nesse ambiente multifacetado. Por meio de estudos de caso, simulações de negociações e análises de cenários, os alunos desenvolvem habilidades práticas para lidar com as complexidades do BRICS. Informações sobre o curso Tecnologia em Gestão Internacional e como a formação pode transformar carreiras em um cenário globalizado podem ser encontradas na página oficial do curso: https://digital4d.pucpr.br/curso/gestao-internacional/ 

Related posts
GastronomiaGestão Publica

Páscoa de 2026 expõe desafios das confeitarias diante da Reforma Tributária

2 Mins read
Na temporada mais lucrativa do ano, confeitarias se reorganizam diante da Reforma Tributária Às vésperas da Páscoa de 2026, período mais decisivo…
Gestão Publica

"O Brasil voltou ao radar global", afirma economista

2 Mins read
Durante palestra no lançamento da nova escola imobiliária do IBREP em São Paulo, o economista Pablo Spyer destacou o avanço do fluxo…
Gestão Publica

Direito ambiental entra em nova fase com mudanças legais, decisões judiciais e maior rigor regulatório

2 Mins read
Riscos jurídicos alerta empresas e investidores para um cenário de maior responsabilização ambiental O Direito Ambiental vive um dos momentos mais sensíveis…
Fique por dentro das novidades

[wpforms id="39603"]

Se inscrevendo em nossa newsletter você ganha benefícios surpreendentes.