Administração

Crise de liderança amplia pressão dos CEOs sobre gestão de pessoas nas empresas

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Retenção de talentos, sucessão e engajamento passaram a ocupar espaço central na estratégia das organizações brasileiras

A pressão sobre CEOs e lideranças empresariais aumentou em 2026. Em um cenário marcado por maior cobrança por resultados, dificuldade de retenção de talentos e necessidade de adaptação das empresas, a gestão de pessoas passou a ocupar um papel ainda mais estratégico dentro das organizações.

Em 2026, a pesquisa CEO Survey, da PwC, mostrou que 29% dos CEOs brasileiros apontam a escassez de profissionais qualificados como uma das principais ameaças aos negócios. O levantamento também indica crescimento da preocupação dos executivos com temas ligados à confiança, sucessão, desenvolvimento de lideranças e capacidade de adaptação das empresas.

“O RH passou a ser mais cobrado porque o impacto da liderança e da cultura organizacional ficou muito mais visível nos resultados das empresas. Hoje, os CEOs percebem que produtividade, retenção e engajamento estão diretamente ligados à forma como as pessoas são lideradas”, afirma a diretora da Humanii Consultoria, Sandra Wurr.

Nos últimos anos, empresas aceleraram processos de transformação, reduziram estruturas, revisaram modelos de trabalho e passaram a exigir mais velocidade das lideranças. Ao mesmo tempo, aumentaram os sinais de desgaste dentro das organizações. Alta rotatividade, dificuldade de sucessão, perda de engajamento e sobrecarga de gestores passaram a aparecer com mais frequência nas discussões da alta administração.

Segundo Sandra, muitas empresas começaram a perceber que questões relacionadas à gestão de pessoas deixaram de ser apenas um tema interno e passaram a impactar diretamente produtividade, capacidade de execução e crescimento.

“Existe hoje uma pressão muito maior sobre os CEOs para manter equipes mobilizadas em ambientes de mudança constante. O que antes era tratado apenas como clima organizacional agora afeta retenção, reputação e desempenho”, diz.

A executiva observa que parte das empresas ainda opera com modelos de liderança que já não acompanham a velocidade das mudanças no ambiente corporativo.

“Muitas lideranças foram formadas em uma lógica mais vertical, focada em controle e resposta rápida. Mas as equipes mudaram, o mercado mudou e as relações de trabalho também mudaram. Capacidade de comunicação, confiança e alinhamento passaram a ter um peso muito maior”, afirma.

Outro ponto que ganhou espaço nas empresas é a preocupação com sucessão em cargos estratégicos. Em diversos setores, CEOs passaram a enfrentar dificuldade para formar novas lideranças preparadas para assumir posições de gestão.

“As empresas começaram a identificar um vazio de liderança em algumas áreas. Durante muito tempo, a formação de gestores ficou em segundo plano e isso aparece agora, principalmente em momentos de expansão, transformação ou maior pressão por resultados”, afirma Sandra.

Na avaliação da diretora, o tema deixou de ser uma pauta restrita ao RH e passou a integrar as decisões estratégicas das companhias. “Cultura organizacional deixou de ser um assunto paralelo. Hoje ela interfere diretamente na capacidade da empresa de crescer, inovar, reter talentos e executar estratégia. Os CEOs passaram a olhar isso de forma muito mais objetiva”, diz.

Sandra afirma que a tendência é de aumento da cobrança sobre lideranças nos próximos anos, especialmente em empresas que atravessam processos de transformação ou crescimento acelerado.

“As organizações entenderam que resultado não depende apenas de planejamento. Depende da capacidade das lideranças de gerar alinhamento, confiança e execução dentro das equipes”, conclui.

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