Finanças

Férias de julho sem planejamento podem comprometer o orçamento familiar até 2027

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Com dólar alto, gastos invisíveis e parcelamentos longos, férias internacionais podem transformar duas semanas de lazer em meses de aperto financeiro, mas ainda há tempo para reduzir riscos com planejamento

Com dólar ainda pressionando o orçamento do brasileiro e julho tradicionalmente concentrando viagens familiares, destinos internacionais como Orlando voltam ao radar de quem busca férias com parques temáticos, compras e entretenimento. Sem planejamento financeiro, gastos com passagens, hospedagem, alimentação, ingressos, câmbio e despesas extras podem comprometer o orçamento familiar muito além do período da viagem.

Para Ricardo Hiraki Maila, especialista em educação financeira e sócio fundador da Plano Fintech, empresa especializada em planejamento e organização financeira para famílias e pequenas e médias empresas, o principal erro está em enxergar apenas a experiência da viagem, sem considerar seu impacto financeiro completo. “A viagem começa muito antes do embarque. Quando a família decide parcelar sem entender o custo total, ela pode transformar férias de duas semanas em uma dívida que acompanha o orçamento por mais de um ano.”

Dados do Ministério de Portos e Aeroportos mostram que a aviação civil brasileira encerrou 2025 com recorde histórico de 129,6 milhões de passageiros transportados, o maior volume já registrado no país, evidenciando a força da demanda por viagens. Ao mesmo tempo, a cotação do dólar segue como fator de pressão para quem pretende viajar ao exterior, especialmente em despesas dolarizadas como hospedagem, alimentação, ingressos e compras.

Quanto a viagem realmente custa além da passagem

Segundo Ricardo Hiraki, o segredo para aproveitar uma viagem para Orlando ao máximo é olhar além do pacote inicial. Elementos como passagens, hospedagem e ingressos são a base da jornada, mas a verdadeira tranquilidade vem de antecipar os custos do dia a dia, como alimentação, transporte local, compras e taxas cambiais. “O planejamento ideal é aquele que abraça a experiência por completo antes mesmo do embarque. Ao incluir esses custos locais no orçamento prévio, o viajante garante um retorno para casa tão leve e feliz quanto o próprio passeio.” 

Entre os erros mais comuns, o especialista também cita decisões tomadas com base no valor da parcela, e não no custo total da operação. Segundo ele, a percepção de que a viagem “cabe no bolso” pode mascarar um comprometimento financeiro mais longo do que o previsto. “A parcela cabe no mês, mas isso não significa que a decisão é saudável. Quando a família soma financiamento da viagem, cartão internacional e compras parceladas no retorno, cria uma sobreposição de compromissos que sufoca o caixa.”

O especialista recomenda que viagens internacionais sejam tratadas como um projeto financeiro, com orçamento fechado, reserva para imprevistos e limites claros de consumo. Estratégias como acompanhar a cotação da moeda com antecedência, organizar parte das despesas antes do embarque e evitar dependência exclusiva do cartão de crédito ajudam a reduzir riscos.

Para famílias que já decidiram viajar em julho, ele afirma que ainda há espaço para reduzir impactos, desde que a programação inclua limites financeiros claros, especialmente para evitar compras por impulso, um dos fatores que mais pressionam o orçamento em viagens internacionais. “O ponto central é honestidade financeira. Se a viagem exige sacrificar contas essenciais ou comprometer os próximos meses, talvez o problema não seja o destino, mas o momento da decisão.”

O especialista reforça que o lazer e as experiências em família são investimentos essenciais na qualidade de vida, ganhando ainda mais valor quando planejados dentro da realidade de cada orçamento. “O objetivo é garantir que a viagem traga apenas boas lembranças e tranquilidade. A melhor memória de um momento especial deve ser a alegria vivida, celebrada com a segurança de um orçamento equilibrado. ”

Sobre Ricardo Hiraki

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