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Imposto deve Retirar R$ 2,2 trilhões do Caixa das PMEs em 2026

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Novo sistema de impostos entra em vigor em 2026 e promete transformar o modelo de arrecadação, exigindo revisão imediata das estratégias tributárias

A Reforma Tributária vai substituir PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS por dois novos tributos, o IBS e a CBS, com início previsto para janeiro de 2026. O novo modelo vai alterar profundamente a estrutura de arrecadação sobre consumo, impactando desde pequenas empresas até grandes conglomerados, com reflexos diretos sobre o fluxo de caixa e a precificação de produtos e serviços. A mudança deve movimentar cerca de R$ 2,2 trilhões anuais em arrecadação, transformando o país em uma das primeiras economias do mundo com capacidade de mensurar a atividade econômica quase em tempo real. Foi prometido que o novo sistema também busca reduzir o contencioso tributário, que já ultrapassa R$ 5,6 trilhões, valor equivalente a quase 75% do PIB. Em um cenário de transição fiscal e busca por previsibilidade, o último trimestre de 2025 marca um ponto decisivo para as empresas, em que o planejamento tributário deixou de ser opcional e passou a representar um fator de sobrevivência e eficiência fiscal. A advogada tributarista Mary Elbe Queiroz, presidente do Cenapret e sócia do Queiroz Advogados avalia que o momento exige mais do que atenção às novas regras, requer revisão completa das estratégias fiscais, tecnológicas e operacionais, envolvendo todas as áreas da empresa, inclusive a sua localização, pois, a tributação passará a ser no destino. 

    “A reforma tributária é a maior reestruturação das últimas décadas e muda a lógica de apuração, local da tributação e de crédito. Empresas que trabalham com cadeias longas, prazos de pagamentos e recebimento e regimes especiais ou benefícios regionais precisarão avaliar como o novo sistema impactará seu fluxo de caixa e a precificação de seus produtos, pois os tributos serão calculados “por fora” do preço cobrado pelo fornecedor. A CBS e o IBS criam uma base ampla e transparente, mas também eliminam brechas e distorções que vinham sendo usadas para reduzir a carga. Quem não se planejar agora corre o risco de pagar mais do que deve e de enfrentar insegurança jurídica na transição”, afirma. Para a especialista, o impacto será sentido tanto no planejamento contábil quanto no estratégico, já que o novo modelo exigirá maior integração entre áreas tecnológica, financeira, fiscal e jurídica. “O momento de agir é antes da mudança começar a valer. Depois, as margens de ajuste serão muito menores”, completa. Uma nova estrutura permitirá o cruzamento automatizado de informações fiscais em tempo real, por meio de uma base digital nacional. Esse mecanismo vai permitir que o governo acompanhe as transações de bens e serviços de forma instantânea, fortalecendo o combate à sonegação e aumentando a transparência na arrecadação. A especialista observa que essa rastreabilidade total também aumenta a exposição das empresas, exigindo controles internos mais robustos e auditorias preventivas. 

    “O contribuinte ganha clareza, mas também visibilidade. Notas, créditos e débitos estarão totalmente integrados, e operações sem lastro contábil ou com erros de classificação serão rapidamente identificadas. O planejamento tributário precisa ser visto como um processo contínuo, e não como uma ação pontual de fim de exercício”, reforça Mary Elbe. Ela acrescenta que empresas com múltiplas filiais, operações interestaduais ou regimes especiais de apuração devem ter atenção redobrada, já que o novo sistema elimina diferenças regionais e tende a centralizar a cobrança, o que exige uma revisão criteriosa de toda a estrutura operacional. O fechamento de 2025 representa a última grande janela para agir com segurança e previsibilidade. “As empresas precisam usar esses meses para simular cenários, revisar regimes tributários, identificar créditos acumulados e avaliar políticas de precificação e contratos. O planejamento feito dentro da legalidade é o que vai separar quem se adapta com eficiência de quem será surpreendido por novas alíquotas e obrigações”, conclui Mary Elbe. Ela destaca ainda que os efeitos da reforma não se limitam à área financeira: impactam também a governança corporativa, a relação com fornecedores e parceiros e o próprio posicionamento competitivo no mercado. 

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