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Por que o agro brasileiro já vive o futuro que o mercado americano descobre só agora?

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Créditos: Agrotools/ Silvia Zamboni
Sergio Rocha, CEO da Agrotools
Créditos: Agrotools/ Silvia Zamboni Sergio Rocha, CEO da Agrotools

*Sergio Rocha, CEO da Agrotools

Não é de hoje que o agronegócio brasileiro está em uma posição de destaque no cenário global. Uma grande base de comparação para isso é uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos. De alguns anos para cá, os americanos tiveram avanços mais tímidos no setor, enquanto o nosso salto, especialmente entre 2017 e 2019, nos colocou na liderança. E, de lá para cá, não perdemos mais a dianteira. 

Uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) nos ajuda a entender um pouco desse contexto. De acordo com o estudo, o agro brasileiro é mais eficiente do que o americano. Isso se deve principalmente aos produtores rurais do nosso país que abraçaram a tecnologia em suas atividades, conseguindo fazer um melhor uso de matéria-prima (sementes, fertilizantes, etc.) e aumentar a produtividade em áreas menores. 

O Brasil está avançado nesse sentido porque já faz, há muito tempo, o que o mundo começou a pedir agora. Hoje, todas as economias precisam lidar com questões de compliance e demandas de mercado fundamentais, como a implementação de práticas ESG (sigla em inglês para “Ambiental, Social e Governança”) e regulamentações como a EUDR. Tudo isso porque fatores como o crescimento populacional, a desigualdade econômica, as mudanças climáticas e a escassez de recursos naturais estão impondo desafios crescentes para os produtores de alimentos.

Esses representantes do agro buscam alternativas para lidar com essa situação por meio da inovação, a qual se tornou uma verdadeira referência no agro nacional.

‘Tropicalização da tecnologia’

A realidade e a complexidade brasileira passaram a exigir do agronegócio nacional uma adaptação do uso de ferramentas tecnológicas, abrangendo diferentes cadeias produtivas, climas e necessidades. Essa ‘tropicalização da tecnologia’ abriu espaço para termos uma visão completa do segmento.

Isso significa que as nossas soluções digitais conseguem integrar diversas fontes de dados para compliance e risco. Hoje, há uma série de tecnologias que podem contribuir para que as empresas aumentem a produtividade, reduzam desperdícios e estabeleçam processos mais sustentáveis. 

Os sistemas de irrigação inteligentes, por exemplo, utilizam sensores para manejar um melhor uso da água. Já as fazendas verticais estimulam uma agricultura regenerativa e mais consciente em áreas urbanas. Ou ainda podemos citar as imagens de satélites, que ajudam agricultores, instituições financeiras e seguradoras a monitorar culturas e identificar áreas que precisam de atenção, permitindo tomadas de decisão mais inteligentes e com menor custo.

Por outro lado, essas soluções ainda não são tão comuns ou desenvolvidas nos Estados Unidos. Diferente da “tropicalização da tecnologia”, o país não olha tanto para todos os pontos da cadeia no seu agro, focando mais em aspectos isolados (só carbono, só agricultura regenerativa, etc.).

Fornecedor globalTer um agronegócio mais avançado do que o de uma potência global como os Estados Unidos vai muito além de “ganhar uma disputa”. Trata-se de contribuir com diversas demandas muito importantes, tanto internas quanto externas. Melhorar o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, suprir a escassez mundial de alimentos,  fomentar a inovação, preservar o meio ambiente, todas essas são apenas algumas delas.

E isso não é apenas um olhar brasileiro. O momento de instabilidade mundo afora, especialmente em termos de relações comerciais e guerras tarifárias, demonstra a nossa importância para vários países. 

Para se ter uma ideia, o Brasil praticamente dobrou suas exportações para a China nos últimos dez anos, com um crescimento de mais de 120% impulsionado principalmente por soja e carne, segundo dados do Insper Agro. Além disso, o dinamismo brasileiro na ampliação de acesso a mercados — incluindo países asiáticos como Vietnã, Japão e Coreia do Sul — reforça ainda mais essa liderança.

Claramente estamos no caminho certo. O agro é um setor-chave no território nacional e já nos posicionamos também como um player extremamente competitivo no cenário internacional. Com os produtores incorporando novas tecnologias e digitalizando o setor, esse com certeza será apenas o início de um futuro ainda mais promissor do qual serviremos de exemplo a ser seguido.

*Sergio Rocha é CEO da Agrotools. Com mais de 30 anos de experiência em áreas como commodities agrícolas, serviços financeiros, tecnologia, comércio internacional, dados e geotecnologia. Sergio também investiu em startups e reestruturou empresas em setores como finanças, commodities e tecnologia. Estudou planejamento estratégico na escola de negócios IMD, na Suíça, e trabalhou na Rússia. Antes de fundar a Agrotools, trabalhou na Costa Pinto Trading Company, na OPE Investments e foi presidente da Tecpar Technology Investment Partners nos EUA.


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