Investimentos

Calote de R$ 229,9 bilhões: Investidores avançam sobre dívidas de empresas em crise

4 Mins read

O potencial de retorno nasce da diferença entre o preço de compra e o valor recuperado, mas depende da solvência do devedor, da segurança jurídica e das garantias

O ambiente empresarial brasileiro chega ao segundo semestre de 2026 pressionado por um estoque crescente de obrigações que deixaram de ser pagas, movimento que transforma a inadimplência em uma disputa pela recuperação desses valores. As dívidas negativadas das empresas passaram de R$ 201,7 bilhões em janeiro para R$ 229,9 bilhões em maio, avanço de 14% em apenas 4 meses. O acréscimo de R$ 28,2 bilhões em um intervalo tão curto mostra como contratos, faturas e recebíveis podem perder previsibilidade e permanecer nas mãos de credores que também precisam de liquidez para manter suas operações. À medida que o atraso se prolonga, o valor da dívida continua registrado, mas o prazo e a parcela efetivamente recuperável tornam-se mais incertos, dificultando renegociações, cobranças e processos judiciais. De um lado, estão empresas tentando reorganizar passivos que já não cabem no caixa; de outro, bancos, fornecedores e prestadores de serviços buscando antecipar ao menos parte do que têm a receber. A diferença entre o valor de face e o montante com chance real de recuperação sustenta o mercado de ativos distressed, no qual esses créditos são negociados com desconto por investidores dispostos a assumir os riscos da cobrança.

O ambiente empresarial brasileiro chega ao segundo semestre de 2026 pressionado por um estoque crescente de obrigações que deixaram de ser pagas, movimento que transforma a inadimplência em uma disputa pela recuperação desses valores. As dívidas negativadas das empresas passaram de R$ 201,7 bilhões em janeiro para R$ 229,9 bilhões em maio, avanço de 14% em apenas 4 meses. O acréscimo de R$ 28,2 bilhões em um intervalo tão curto mostra como contratos, faturas e recebíveis podem perder previsibilidade e permanecer nas mãos de credores que também precisam de liquidez para manter suas operações. À medida que o atraso se prolonga, o valor da dívida continua registrado, mas o prazo e a parcela efetivamente recuperável tornam-se mais incertos, dificultando renegociações, cobranças e processos judiciais. De um lado, estão empresas tentando reorganizar passivos que já não cabem no caixa; de outro, bancos, fornecedores e prestadores de serviços buscando antecipar ao menos parte do que têm a receber. A diferença entre o valor de face e o montante com chance real de recuperação sustenta o mercado de ativos distressed, no qual esses créditos são negociados com desconto por investidores dispostos a assumir os riscos da cobrança.

Na prática, as principais oportunidades aparecem quando o credor possui um direito econômico reconhecido, mas já não pode ou não deseja esperar pelo fluxo original de pagamento. É o caso dos NPLs (empréstimos e financiamentos vencidos ou inadimplidos), dos legal claims privados (direitos de recebimento discutidos judicialmente entre partes privadas) e dos direitos creditórios (valores a receber originados de contratos, vendas ou prestação de serviços). Embora tenham naturezas diferentes, esses ativos seguem uma lógica semelhante: o comprador assume os riscos relacionados ao prazo, à cobrança e à capacidade de pagamento do devedor em troca de um preço de entrada menor. “Esses créditos podem ser negociados com deságios entre 70% e 90%, devido às incertezas e aos riscos. Em geral, buscamos um MOIC de 3 a 8 vezes o capital investido”, afirma Matheus Matos, sócio da MA7 Capital. Um deságio nessa faixa significa pagar de R$ 10 a R$ 30 por um direito com valor de face de R$ 100. A diferença, porém, não representa lucro imediato, mas uma compensação pelo risco assumido. O MOIC mede quantas vezes o capital aplicado retorna ao investidor, resultado que depende do preço de aquisição, dos custos, do prazo e do montante efetivamente recuperado.

A manutenção dos juros em patamares elevados alterou a precificação do risco entre 2025 e 2026 e coincidiu com o avanço dos investimentos alternativos nas carteiras. Ao mesmo tempo que o crescimento da inadimplência empresarial ampliou o universo potencial de créditos negociados com desconto, gestores e investidores passaram a dedicar mais atenção a operações cujo retorno depende da recuperação do ativo, e não da valorização de uma empresa ou da venda futura de uma participação. Esse encontro entre dívidas disponíveis e capital interessado em assumi-las aumentou o espaço das special situations, mas também intensificou a disputa pelos créditos com melhores condições jurídicas e financeiras. Na MA7 Capital, o período reuniu mais de 80 transações, mais de R$ 400 milhões captados e um volume superior a R$ 750 milhões em créditos estruturados, números referentes a diferentes etapas das operações e não a uma rentabilidade consolidada. Para Matheus Matos, sócio da MA7 Capital, a expansão indica uma mudança na posição desses ativos dentro das carteiras. “O patamar dos juros elevou a exigência de retorno, enquanto o crescimento dos investimentos alternativos direcionou mais recursos às special situations. O capital disponível nos fundos distressed passou a ser comparado ao dos fundos de private equity, sinal de que a estratégia ganhou escala e hoje ocupa uma posição mais relevante na alocação dos investidores”, afirma.

A expansão desse mercado torna a análise do crédito mais importante do que o desconto apresentado na venda. Em operações com deságios entre 70% e 90%, o comprador assume a incerteza sobre o prazo, os custos e a parcela que conseguirá recuperar, o que exige reconstruir o caminho da dívida desde sua origem até as condições efetivas de cobrança. A avaliação começa pela validade e exigibilidade do direito, avança sobre a situação financeira do devedor, considera o estágio do processo judicial e verifica se as garantias existentes possuem valor e podem ser executadas. Cada elemento altera o preço que faz sentido pagar. Um direito juridicamente sólido pode ter baixo valor econômico quando o devedor não possui patrimônio; da mesma forma, a solvência perde relevância quando a cobrança enfrenta fragilidades documentais ou processuais. O tempo também pesa no resultado, já que a mesma recuperação produz retornos anuais muito diferentes quando ocorre em 2 ou 8 anos. “Uma boa oportunidade precisa reunir um direito consistente, um devedor solvente, um processo com condições de avançar e garantias já estipuladas. Quando esses elementos não estão presentes, o desconto pode refletir uma dificuldade real de recuperação, e não uma oportunidade”, afirma Matheus Matos, sócio da MA7 Capital.

Related posts
BelezaInvestimentos

Com mais de 24 anos de experiência no mercado magistral, grupo Octa investe cinco milhões em linha de skincare e suplementos

3 Mins read
Empresa investiu R$ 5 milhões para criar as marcas Octa Nutri e Octa Dermo e inicia novo ciclo de crescimento com venda…
Investimentos

Duplo movimento: Brasil atrai US$ 77 bilhões em investimento externo enquanto empresas nacionais expandem para o exterior

2 Mins read
Enquanto o Brasil atrai investimento estrangeiro, empresários transformam a expansão internacional em estratégia de crescimento O Brasil vive um movimento que, à…
Investimentos

R$ 1 bilhão no litoral catarinense: investidores do Sul apostam na aviação executiva como novo motor econômico

2 Mins read
Um grupo de investidores do Sul do país decidiu apostar alto nesse potencial: R$ 1 bilhão num complexo de aviação executiva e…